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Conheça estudo da USP que busca tratamento inĂ©dito contra dependĂȘncia de drogas

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Por Redação em 10/06/2024 às 04:16:27
Testes pré-clínicos apontaram resultados promissores no uso de medicamento já existente. Pesquisadora, no entanto, adota cautela ao considerar falta de análises em humanos. Homem usando droga

Marcos Serra Lima / g1

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto (SP) estão em busca de um tratamento inédito contra a dependência de drogas. Em testes iniciais pré-clínicos, ou seja, em animais, um estudo apontou resultados considerados promissores no uso de um medicamento já existente no mercado.

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Durante a pesquisa, 300 camundongos machos foram submetidos a doses de cocaína e morfina, que são consideradas drogas de abuso.

Pesquisadora do Departamento de Farmacologia e responsável pelo estudo, Amanda Juliana Sales explicou que, inicialmente, os animais receberam apenas as drogas, sem o medicamento.

"O animal é colocado em uma caixinha, e essa caixinha tem dois lados. Em um dia eu dava a cocaína ou a morfina e deixo o animal de um lado. À medida que eu dou a droga, ele começa a sentir os efeitos que causam a dependência dele. Ele recebe a droga e vai para o ladinho da caixa. No outro lado, a gente só coloca ele quando não dá a droga."

Segundo Sales, com a repetição, o camundongo começa a entender qual é o local mais propício para consumir a droga. Ela destaca que esse "comportamento de preferência" do animal pode ser comparado ao da pessoa que é usuária de entorpecentes.

"Quando você condiciona o animal por três vezes, ele adquire esse comportamento de preferência, ou seja, quando solto o animal na caixa, ele fica mais tempo do lado em que ele recebia a droga. No humano, seriam as pistas que a pessoa que consome droga tem. Aquele ambiente me condicionou ao prazer da droga. É a mesma coisa que o animal."

Esperança x pés no chão

O comportamento dos camundongos começou a mudar quando eles passaram a receber pequenas doses do medicamento analisado durante o período de um a três dias.

Ao invés de se movimentarem, na maioria das vezes, em direção ao lado onde estavam acostumados a receber o entorpecente, os animais deixaram de preferenciar aquela parte da caixa.

"O animal, quando ele recebia só a cocaína ou a morfina, ele tinha essa preferência, ficava mais do lado da caixa em que ele recebia a droga. Quando eu tratava com [nome do remédio], não, ele não preferia nenhum dos lados, explorava os dois lados igualmente."

De acordo com a pesquisadora, a principal diferença do tratamento estudado é que ele busca curar a dependência pelas drogas, diferentemente dos métodos já utilizados, que, segundo ela, servem apenas para amenizar os sintomas.

"O que nos motiva é que não existem drogas [remédios] para tratar a dependência química. Os medicamentos que existem tratam a abstinência, amenizam os sintomas. O que estamos fazendo é tentar entender o que está acontecendo, como essas drogas [remédios] funcionam."

Apesar de os primeiros resultados terem se mostrado promissores, a responsável pelo estudo enfatiza que é necessário cautela. Isso porque os testes em seres humanos ainda não foram realizados.

"A gente fica motivado de encontrar alguma coisa que está produzindo um efeito, mesmo que em animais, mas a gente não sabe se isso vai se reproduzir em humanos quando formos para os estudos clínicos."

Medicamento é testado em camundongos

AP Photo/Patrick Semansky

Próximos passos

Agora, os pesquisadores pretendem atuar em duas frentes para dar sequência ao estudo. Uma delas busca ampliar os testes para camundongos fêmeas.

Já a outra pretende investigar como o medicamento age no organismo dos animais para causar o efeito de mitigação da dependência. Com isso esclarecido, há, inclusive, a possibilidade de desenvolvimento de outros remédios.

"O que estamos fazendo agora é tentar entender o mecanismo mesmo, o que [nome do remédio] está fazendo, onde está agindo para produzir o efeito. Uma vez que a gente entende esse mecanismo, a gente consegue desenvolver outras drogas [remédios] que produzam o mesmo efeito. A gente fez isso em machos e agora está fazendo em fêmeas para ver se também funciona", finaliza.

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