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Vinho PĂȘra-Manca: conheça o rótulo portuguĂȘs que amigos pediram por engano na Bahia

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Por Redação em 09/07/2024 às 13:00:24
Em jantar, grupo pediu duas garrafas de vinho de R$ 1.650 achando que custavam R$ 165 e a história viralizou nas redes sociais. A boa notícia é que puderam beber um dos vinhos mais icônicos de Portugal. Quarteto confunde preço de vinho, pede duas garrafas e conta de restaurante passa de 4 mil

Há males que vêm para o bem: por engano, a arquiteta Thalyta Figueiredo, seu namorado e amigos tiveram que desembolsar mais de R$ 3 mil em duas garrafas de vinho em um almoço no último domingo (7). Ela contou o episódio em entrevista ao g1.

A boa notícia é que o grupo teve a oportunidade de degustar um dos vinhos mais icônicos e disputados de Portugal, o Pêra-Manca.

O Pêra-Manca é produzido pela Adega Cartuxa, uma das casas mais importantes da região do Alentejo, e que faz parte da Fundação Eugénio de Almeida. A empresa é responsável por outros rótulos conhecidos por aqui — e mais baratos —, como o EA e o Cartuxa.

"É uma situação um pouco ingrata para o consumidor que não queria despender esse valor, mas ao menos não ficaram insatisfeitos com a qualidade do vinho. Só com o valor a pagar", diz João Teixeira, diretor comercial da Adega Cartuxa.

Sede da Adega Cartuxa em Évora, na região do Alentejo, em Portugal

Divulgação/Adega Cartuxa

O Pêra-Manca, contudo, é o topo de gama. A própria Cartuxa chama o rótulo de "seus vinhos de exceção", que são produzidos apenas desde 1990. Mas sua história se desdobra desde a Idade Média.

A lenda do Pêra-Manca começa com uma aparição de Nossa Senhora em Évora, por volta de 1365. O local virou ponto de peregrinação, e foi fundado ali o Convento do Espinheiro. Os vinhedos de Pêra-Manca eram propriedade dos frades do Convento.

O nome Pêra-Manca vem do terreno da região, coberto de pedras soltas — ou "pedras mancas".

Em 1517, os vinhedos foram arrendados a Álvaro Azedo, escudeiro do Rei D. João I, e tornou-se o vinho da corte portuguesa. Tanto que fez parte das expedições do descobrimento. Pedro Álvares Cabral o transportava quando chegou ao Brasil, e ofereceu uma prova aos índios.

A antiga tradição do Pêra-Manca foi recuperada no século XIX, pela Casa Soares, que fez dele um vinho mais sofisticado. Com a praga da filoxera, um pulgão que devastou os vinhedos na Europa naquela época, a Casa Soares deixou de produzir o Pêra-Manca.

Só em 1987, o herdeiro da família, José António de Oliveira Soares, ofereceu o nome à Fundação Eugénio de Almeida, que passou a utilizá-lo para seu vinho de maior qualidade.

O atual Pêra-Manca pode ser feito de uvas brancas ou tintas. Thalyta e seus amigos pediram o branco, da safra 2019.

Nesse caso, ele é feito de uvas selecionadas dentre as melhores produzidas pela vinícola das castas Antão Vaz e Arinto. As uvas são colhidas exclusivamente de vinhedos mais antigos (chamados entre os entendidos de "vinhas velhas"). São plantas que têm produção mais limitada, que deixam os frutos mais ricos e dão vinhos melhores.

O processo de vinificação é o mais cuidadoso possível, em que as uvas são retiradas dos ramos e prensadas gentilmente.

Dali, as uvas partem para a fermentação — parte em aço inox, parte em carvalho francês. Passa 12 meses em contato com as borras para ganhar complexidade, e outros 12 meses de amadurecimento em garrafa.

Ao ano, são cerca de 80 mil garrafas produzidas, uma tiragem baixa para a demanda. Isso explica os preços da garrafa, que partem de R$ 800 no Brasil.

O Pêra-Manca tinto é ainda mais especial: o vinho é produzido das uvas Trincadeira e Aragonez, também de seleção rigorosíssima. Tão rigorosa que a produtora só lança novas safras do vinho quando as uvas atendem a um padrão esperado de qualidade.

Até hoje, só saíram 15 edições do Pêra-Manca tinto, a última delas da safra 2015. Mas, no fim deste ano, chega ao mercado a safra 2018.

Neste caso, a produção é ainda mais reduzida. Em geral, são cerca de 30 mil garrafas quando o vinho é lançado. Para a safra 2018, porém, serão apenas 21 mil. Os preços do tinto, assim, passam dos R$ 5 mil.

O tinto também usa as melhores uvas, de vinhas velhas. Passa pelo mesmo processo criterioso de vinificação, e fermenta em balseiros de carvalho francês que adicionam complexidade. Por fim, amadurece por mais 18 meses em barricas, também de carvalho francês de alta qualidade.

"Encorpado, complexo e elegante, com aroma a passas de frutos e essências das madeiras de estágio. (...) São vinhos que apresentam grande longevidade, necessitando de algum tempo para revelar todo o seu potencial", descreve a Fundação.
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