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Relógios, canetas e esculturas douradas: veja as joias vendidas ilegalmente por auxiliares de Jair Bolsonaro, segundo a PF

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Por Redação em 09/07/2024 às 16:47:05
Inquérito indica que ex-presidente e demais investigados venderam quatro conjuntos de joias, entre kits, relógios e esculturas. Bolsonaro teria recebido R$ 137 mil em espécie de Mauro Cid, seu ex-ajudante de ordens. A investigação da Polícia Federal (PF) no inquérito das joias indica que Jair Bolsonaro (PL) se apropriou e se beneficiou da venda de quatro conjuntos de joias de forma ilegal (veja quais os itens e suas trajetórias nas artes abaixo). A corporação enviou o inquérito ao STF (Supremo Tribunal Federal), que retirou o sigilo da investigação nesta segunda-feira (8).

A conclusão está no inquérito sobre as joias dadas de presente pelo governo da Arábia Saudita ao governo brasileiro durante a gestão Bolsonaro. Os conjuntos de joias milionárias deveriam ter ido para o patrimônio do Estado, mas foi parar no patrimônio pessoal do ex-presidente, segundo a PF.

Os itens foram vendidos nos Estados Unidos por assessores do ex-presidente e o valor dos desvios, ainda de acordo com a corporação, é estimado em R$ 6,8 milhões (US$ 1.227.725,12).

Os documentos listam quatro conjuntos de joias, entre kits, relógios e esculturas:

Duas esculturas, um coqueiro e um barco;

Um kit de joias, chamado "Rosê", pela cor das peças - que incluía um relógio Rolex;

Um kit de joias, chamado "Ouro branco", pelo material de sua fabricação - também incluía um relógio Rolex;

Um relógio, modelo Patek Philippe Geneve.

De acordo com o documento, Bolsonaro teria recebido cerca de R$137 mil (cotação para os US$ 25 mil) em espécie do general Mauro Cesar Lourena Cid, pai do ex-ajudante de ordens do então presidente, o tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid.

Este valor é referente a outros itens ainda não identificados pela PF, indicam os documentos.

Confira os detalhes e os principais envolvidos no caso:

A Polícia Federal indiciou na última quinta-feira (4) o ex-presidente e mais 11 pessoas no inquérito das joias:

Jair Messias Bolsonaro, ex-presidente da República;

Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Júnior, ex-ministro de Minas e Energia;

Fábio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação Social de Bolsonaro;

Frederick Wassef, advogado de Bolsonaro;

José Roberto Bueno Junior, ex-chefe de gabinete do Ministério de Minas e Energia;

Julio Cesar Vieira Gomes, ex-secretário da Receita Federal;

Marcelo Costa Câmara, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;

Marcelo da Silva Vieira, ex-chefe do setor de presentes durante o governo Bolsonaro;

Marcos André dos Santos Soeiro, ex-assessor do ex-ministro de Minas e Energia;

Mauro Cesar Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;

Mauro Cesar Lourena Cid, general do Exército e pai de Mauro Cid;

Osmar Crivelatti, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;

Veja aqui quais foram os crimes que os 12 envolvidos foram indiciados

Os indiciados são acusados de crimes diferentes. Bolsonaro, por exemplo, foi indiciado por associação criminosa, lavagem de dinheiro e peculato. Ele sempre negou irregularidades. O relatório final com as conclusões e os detalhes sobre os possíveis indiciamentos foi enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, relator do caso.

Caberá também ao Ministério Público, se denunciar, propor ao Supremo Tribunal Federal a forma de aplicação das penas — se pela soma de cada uma das punições ou pela aplicação da pena mais grave, aumentada de uma fração.

Veja abaixo os principais detalhes de como funcionou o desvio de cada item:

Veja cronologia

g1

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O que dizem os investigados

O advogado do ex-presidente Bolsonaro, Paulo Cunha Bueno, afirmou que não teve acesso ainda ao relatório da PF, e aguarda o documento antes de se manifestar. Bolsonaro, no entanto, já se pronunciou em outras ocasiões e nega qualquer irregularidade.

O ex-chefe da Secretaria de Comunicação, Fabio Wajngarten, alega falta de provas e diz ter sido indiciado por defender um cliente. Segundo ele, a acusação é "arbitrária, injusta e persecutória".

"A iniciativa da Polícia Federal de pedir meu indiciamento no caso dos presentes recebidos pelo ex-presidente é arbitrária, injusta e persecutória. É uma violência inominável e um atentado ao meu direito de trabalhar", escreveu em uma rede social.

O advogado Frederick Wassef enviou uma nota à imprensa, na qual afirma estar passando pelo indiciamento apenas por exercer a advocacia em defesa do ex-presidente, e relata que "Bolsonaro nem Coronel Cid pediram a ele para comprar o Rolex".

"Entreguei espontaneamente à Polícia Federal todos os documentos que provam isto. Nem eu e nem os demais advogados do ex-presidente tivemos acesso ao relatório final, o que choca a todos, o vazamento à imprensa de peças processuais que estão em segredo de justiça. Estou passando por tudo isto apenas por exercer advocacia em defesa de Jair Bolsonaro", diz a nota.

O advogado do tenente-coronel Mauro Cid afirmou que o ex-ajudante de ordens está "cumprindo o acordo que fizeram com autoridades normalmente. O indiciamento é só mais uma fase das investigações. Nada a declarar".
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