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Castro afirma que Itamaraty entrou em contato depois de 'avacalhar' a PM no caso de filhos de diplomatas

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Por Redação em 10/07/2024 às 12:52:57
Governador disse que houve um pré-julgamento dos policiais, e que caso é investigado pela Corregedoria. O g1 procurou o Itamaraty, que informou que não vai comentar a declaração de Castro. Cláudio Castro durante a inauguração do Programa Segurança Presente no Galeão

Cristina Boeckel/g1 Rio

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, afirmou na tarde desta quarta-feira (10) que houve um julgamento precipitado das autoridades federais na abordagem de policiais militares a cinco adolescentes, três deles filhos de diplomatas estrangeiros negros, na Rua Prudente de Moraes, em Ipanema, na Zona Sul do Rio. O caso é investigado pela Corregedoria da PM e pela Polícia Civil.

Pela manhã, o Itamaraty afirmou que enviou um ofício ao Governo do Estado sobre o caso.

"Ele [o Itamaraty] enviou depois. Mas quando eles querem, eles ligam. Enviar um ofício posterior não quer dizer nada depois de ter avacalhado a polícia. Totalmente dispensável o ofício deles", disse Castro.

O g1 procurou o Itamaraty, que informou que não vai comentar a declaração de Castro.

O governador afirmou que não vai "crucificar" os policiais envolvidos no caso e que uma investigação apontará o que ocorreu.

"Eu vou cobrar uma investigação séria e isenta. Se for constatado que exageraram vão ser punidos dentro do que é previsto neste tipo de erro."

Castro afirmou que o contato com o Ministério das Relações Exteriores poderia ter sido diretamente, por meio de um telefonema.

"Todos têm meu telefone. Aconteceu e, antes de dar a declaração, liga. Essa é a postura. Depois de achincalharem a polícia, mandaram ofício. Perderam tempo em mandar ofício", completou o governador.

Mesmo com discordâncias sobre a forma como o Ministério das Relações Exteriores abordou o caso, Castro não descarta uma possível punição caso seja comprovado algum erro ou abuso na abordagem.

"No depoimento dos garotos, eles falam que os cinco foram revistados e que haveria tido uma truculência só com três deles. No depoimento desse funcionário ele não relata isso. O que estamos fazendo é deixar o devido processo legal fazer o julgamento. E se tiverem que passar por reciclagem ou serem punidos, serão punidos dentro do erro que cometeram", ressaltou o governador.

Castro disse que na região de Copacabana, Ipanema e Leblon, três dos bairros mais valorizados da cidade, muitas reclamações da população são por conta de roubos e furtos feitos por jovens.

"Crucificar a polícia antes de a Corregedoria terminar o trabalho dela é um erro."

Os dois policiais envolvidos no caso já foram ouvidos pela Corregedoria da PM. Nesta quinta-feira (11), devem prestar depoimento na Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat), no Leblon, no inquérito que investiga se houve racismo durante a abordagem.

Segurança Presente no Galeão

Castro na inauguração da base do Programa Segurança Presente no acesso ao Galeão

Cristina Boeckel/g1 Rio

As declarações do governador foram dadas na inauguração de uma base do programa Segurança Presente no acesso ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão. A unidade fica na Avenida Vinte de Janeiro.

É a segunda unidade do programa no bairro. Outra foi inaugurada ano passado, no Jardim Guanabara. A base do aeroporto conta com 22 policiais militares, além de 4 motos e 2 carros.

De acordo com o secretário estadual de Turismo, Gustavo Tutuca, a base complementa o projeto de aumento do número de voos no local. Segundo ele, a expectativa é de que o número de passageiros dobre de um ano para outro, passando de 7 para 14 milhões de passageiros este ano.

O governador Claudio Castro destacou que o programa faz parte de um projeto perene de combate ao crime. "O Segurança Presente permite que a população se sinta segura, vendo os policiais e colaborando com quem vive e visita o Rio", finalizou Castro.

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A abordagem

PMs apontam armas para filhos de diplomatas estrangeiros negros durante abordagem no Rio

No último dia 3, 2 PMs abordaram 4 jovens, filhos de representantes do Canadá, Gabão e Burkina Faso, na Rua Prudente de Moraes. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que os policiais apontam armas para os adolescentes negros, acompanhados de 2 garotos brancos, brasileiros (veja acima).

Os diplomatas consideraram a ação truculenta. O embaixador do Gabão no Brasil, Jacques Michel Moudouté-Bell, apontou racismo na abordagem. Ele, pessoalmente, reclamou ao Itamaraty.

Por conta disso, o governo federal exigiu que o Rio de Janeiro fizesse uma apuração rigorosa e responsabilizasse adequadamente os policiais. Castro, porém, afirmou não ter sido procurado formalmente por algum representante do Itamaraty.

"Eles não entraram em contato. Preferiram botar nota pública antes de saber o que aconteceu. Isso é uma coisa que a gente tem que tomar cuidado. Atacar a polícia sem de saber o que aconteceu é muito fácil. Espero que, por parte do Itamaraty e do Ministério [das Relações Exteriores], eles tenham mais respeito e mais consideração pela Polícia Militar. Quando os filhos deles estão aqui, quem vai defender é a polícia. Atacar a polícia sem ao menos ligar antes para dialogar?", declarou o governador.

"A gente tem que tirar a política disso e começar a entender que aqui se faz segurança pública. A polícia está aqui para defender o cidadão. Se ela errar, ela será corrigida, dentro do erro. A gente não vai crucificar um policial que está lá fazendo o seu trabalho. Eu espero que o Ministério e o Itamaraty tenham mais zelo antes de sair fazendo crítica pública à polícia", emendou.
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