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Manto TupinambĂĄ chega ao Rio

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Por Redação em 10/07/2024 às 20:24:37
Integrante do Grupo de Trabalho do Ministério dos Povos Indígenas para a recepção do manto alega que que o item não está sendo tratado com o cuidado cultural que lhe é devido. O g1 procurou o Museu Nacional, mas, até a publicação desta reportagem, não obteve resposta. Manto tupinambá do século XVI, feito de penas de guará, chegou ao Brasil sob sigilo na primeira semana de julho, no Rio.

Reprodução Exposição Os Primeiros Brasileiros/Museu Nacional (UFRJ)

O manto tupinambá chegou ao Rio de Janeiro sob sigilo na primeira semana de julho. A peça, que possui mais de 300 anos, foi doada pelo governo dinamarquês para repor o acervo perdido com o incêndio que destruiu o Museu Nacional, em 2018.

Porém, a artista e antropóloga Glicéria Tupinambá afirma que o item não está sendo tratado com o cuidado cultural que lhe é devido. Ela diz que, mesmo sendo integrante do Grupo de Trabalho (GT) do Ministério dos Povos Indígenas para a recepção do manto, só foi avisada sobre a chegada do item depois que ele estava no museu.

"Nós do Grupo de Trabalho iríamos tratar de como seria a recepção, para acolhida ao manto quando chegasse. A gente não estava sabendo quando o manto chegou. Não só repatriamento institucional com embaixador e museu apenas é necessário, mas também da presença dos rituais e cerimônias religiosas. Diferente de tratar o manto como simplesmente um objeto", explica.

O manto é considerado um item ancestral dos povos originários do Brasil. Feito de penas vermelhas de Guará, uma ave típica do litoral da Bahia, o manto mede cerca de 1,80 metro e tem 80 centímetros de largura e é costurado em uma malha por meio de uma técnica ancestral do povo tupinambá. Existem apenas outros dez desse tipo no mundo, produzidos entre os séculos 16 e 17.

A comunidade Tupinambá da Serra do Padeiro, localizada na ainda não demarcada Terra Indígena Tupinambá Olivença, no estado da Bahia, solicitou a vinda do manto em 2002 e, em agosto do ano passado, a doação da peça foi anunciada em uma ação conjunta do embaixador brasileiro na Dinamarca, Rodrigo de Azeredo Santos, e do Museu Nacional.

"É um item vivo e nós, Tupinambás, achamos necessário que a sociedade saiba que conseguimos um ato importante, que é a volta", afirma Glicéria.

O g1 procurou o Museu Nacional, mas, até a publicação desta reportagem, não obteve resposta.
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