Jornalista agredida fala sobre passagens na polícia de ex-agressor: 'Assustador. Não tinha noção'

Por Redação em 07/05/2022 às 00:17:10

Ana Luiza Dias ficou em cárcere privado na casa de Fred Henrique Moreira Lima por três dias, sendo agredida. Ele tem passagens na polícia por violência doméstica, roubo e tráfico. Ana Luiza Dias antes e depois das agressões: 'É assustador tudo o que vivi'

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Assustada. É assim que a jornalista Ana Luiza Dias, de 37 anos, descreve seu estado de espírito ao descobrir detalhes da vida pregressa de Fred Henrique Lima Moreira, de 30 anos. O homem que há duas semanas era seu namorado, mas que a manteve em cárcere privado, a agrediu, quebrou o seu maxilar e ainda a ameaçou mesno no hospital.

"A cada hora descubro uma coisa nova sobre ele. Ao saber da ficha criminal, já acho até que tive sorte", diz sobre os registros na polícia que envolvem outros casos de violência doméstica, roubo e tráfico.

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Ana diz que conheceu Fred através de conhecidos em comum, e não fazia ideia da vida pregressa dele.

"Não sabia da vida pregressa dele, nem que tinha ficha criminal. Eu o conheci em um momento em que estava frágil e talvez não tenha percebido algumas coisas. Mas hoje sei que, se você está com um agressor, ele vai te agredir. Não vai ser diferente. Agrediu no passado, vai agredir no futuro", diz ela, que segue se recuperando da cirurgia no maxilar.

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Ana e Fred estavam juntos há oito meses, e ele relatou que o primeiro episódio de agressão aconteceu no fim do ano passado. Ela relevou, seguiu adiante no relacionamento até o episódio no final de abril que quase custou sua vida.

"É assustador ver o que esse homem é capaz. Tudo o que ele já fez e como a Justiça deixou ele solto com tantos episódios de violência doméstica. Espero sinceramente que a justiça seja feita dessa vez, que essa superexposição que estou vivendo sirva para isso", diz ela contanto que, no meio de tantas notícias ruins, viveu uma experiência que lhe devolveu a esperança.

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Sororidade no IML

"Eu fui ao IML na sexta-feira (6) e, em dado momento, fui abordada por uma mulher que falou que me conhecia, que tinha me visto na televisão. Meio tímida, ela falou que viu o meu caso e tomou coragem para denunciar o seu agressor. Tenho fé na Justiça, mas já me ajuda saber que encorajei a mulherada a denunciar seus agressores", diz.

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Fred Henrique Moreira Lima é velho conhecido da polícia do Rio de Janeiro. Com apenas 30 anos, ele já foi preso pelo menos três vezes.

A última foi na quarta-feira (4) acusado de agredir, torturar e manter em cárcere privado a namorada durante três dias em um apartamento em Copacabana, na Zona Sul do Rio.

Antes disso, em 2020, ele já tinha cumprido pena por agredir e torturar a mãe de um dos seus filhos. Em 2017, foi condenado por tráfico e teve anotação também por roubo.

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2010 - Fred Henrique responde a processo por lesão corporal decorrente de violência doméstica contra aos avós. Ele foi condenado a se apresentar à Justiça mensalmente e ficou proibido de visitar os avós. A pena foi obtida a partir do perdão das vítimas.

2010 - No mesmo ano, foi preso em flagrante por roubar uma moto em Copacabana. Por ser réu primário, Fred foi condenado a um ano de reclusão com substituição da pena privativa de liberdade por uma pena restritiva de direito, consistente em prestação de serviço à comunidade.

2011 - É acionado por violência doméstica contra a mulher pela primeira vez ao agredir a mãe de um de seus filhos. Em depoimento à polícia, a vítima disse que durante uma crise de ciúmes Fred começou a xingá-la, dar-lhe socos no rosto e em todo o corpo, tendo por fim esquentado uma panela vazia no fogo e colocado na perna e costas dela. Foi beneficiado com o regime aberto.

2015 - Anotação por desacato à autoridade.

2017 - Priso em flagrante por associação para o tráfico no dia 7 de janeiro na Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, com posse de 2,16g de cocaína em pó distribuídos em 09 tubos plásticos, 137,55g de maconha distribuídos em 37 trouxinhas e munições calibre 12. Foi condenado a 10 anos de reclusão em regime fechado.

2020 - Termo circunstanciado para apurar a prática de crime de lesão corporal a uma namorada, que teria sido agredida e obrigada a fazer sexo oral com Fred, que teria filmado o ato e dito que divulgaria o vídeo, se a vítima o denunciasse.

2020 - Agrediu e privou de liberdade a mãe de seu outro filho, que só foi resgatada depois que pediu ajuda ao ex-marido. No cárcere, ele foi espancada, levou vassouradas e choques, e foi queimada com uma panela.

2022 - Fred é preso por agressão, tortura e cárcere privado cometido contra uma namorada. Ela ficou presa durante três dias em um apartamento em Copacabana, na Zona Sul do Rio, e só conseguiu fugir graças a ajuda de um porteiro. Fred está recluso em prisão temporária.

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Prisão mantida

Em audiência de custódia na quinta-feira (5), a prisão temporária de Fred foi mantida mesmo ele alegando ter sido agredido, com chutes na mão, por policiais civis no ato de sua prisão temporária, mas o juiz destacou na decisão que o laudo de integridade física restou negativo.

A vítima, a jornalista Ana Luiza Dias, de 37 anos, se disse aliviada ao saber que a prisão de Fred foi mantida. Ela contou ao g1 que está fora de casa para se recuperar. Ana disse ainda que está se alimentando apenas de comidas pastosas por causa da cirurgia no maxilar e que precisará fazer fonoaudiologia para voltar a falar normalmente.

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"Dá um alívio muito grande, graças a Deus. Que a justiça seja feita. Não só por mim, mas por todas os crimes que ele já cometeu. Ele é um monstro", disse

A jornalista disse que está recebendo apoio jurídico e psicológico para superar o trauma. Segundo ela, o ex-namorado seguiu com as ameaças mesmo quando estava internada no hospital.

"Fica um alerta para as mulheres que acham que o cara agrediu e vai mudar. Não vai! É ilusão. Se ele agrediu no passado, vai agredir no presente", disse ela que passou pela dinĂąmica.

Ana conta que voltou a ser ameaçada por mensagens quando estava internada

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Agressão

Ana Luiza Dias contou que teve que descer nove andares de escada e pedir ajuda a uma pessoa do prédio onde estava em Copacabana para conseguir escapar das agressões de Fred.

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"Eu desci nove andares de escada, não sei como. A gente às vezes dá um start na nossa vida que a gente não pode perder tempo. Me deu aquele 'é agora ou vou morrer'", contou.

No apartamento onde ele estava, a polícia encontrou um bastão retrátil, um soco inglês e uma réplica de pistola. O suspeito permaneceu calado durante depoimento, segundo a polícia.

"Na sexta-feira (29), a Ana compareceu à delegacia com muitos sinais evidentes de lesões corporais - principalmente na região da face. Ela informou que, durante esses três dias, o Fred a manteve em cárcere privado e a espancou várias vezes. Além da agressão física, ela também foi submetida a tortura psicológica", disse a delegada que apurou o caso.

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