Mudanças do clima: as previsões do IPCC para a América do Sul

Por Redação em 09/08/2021 às 08:55:19
Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), órgão da ONU, fez projeções de qual será o impacto do aquecimento global para a América Central e do Sul. Mudanças do clima: as previsões do IPCC para a América do Sul

Reprodução/IPCC

Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) publicado nesta segunda-feira (9) conclui que os seres humanos são responsáveis por um aumento de 1,07°C na temperatura do planeta.

É a primeira vez que o IPCC - um órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) - quantifica a responsabilidade das ações humanas no aumento da temperatura na Terra, no documento "Climate Change 2021: The Physical Science Basis".

Os pesquisadores também fizeram previsões regionais, de qual será o impacto das mudanças no clima, inclusive para a América Central e do Sul. Veja as principais conclusões sobre quais serão as mudanças na região:

Alta confiança de que ocorrerá:

As temperaturas médias provavelmente aumentaram em todas as sub-regiões (veja mais abaixo) e continuarão a aumentar a taxas maiores do que a média global;

Mudança na precipitação média: aumento das chuvas no Noroeste da América do Sul (Colômbia, Peru e Equador) e no Sudeste da região (Uruguai, Paraguai e parte de Argentina e Brasil - região Sul e partes do Sudeste e Centro-Oeste).

O nível relativo do mar cresceu nas últimas três décadas a uma taxa mais alta do que a média global no Atlântico Sul e no Atlântico Norte. No Pacífico Leste, o crescimento ficou abaixo da média global.

É extremamente provável que o aumento relativo do nível do mar continue nos oceanos ao redor da América Central e do Sul, contribuindo para o aumento das inundações costeiras em áreas baixas e recuo da costa em partes arenosas;

As ondas de calor marítimas também devem aumentar em toda a região ao longo do século 21.

Média confiança de que ocorrerá:

Mudança na precipitação média: redução nas chuvas no Nordeste da América do Sul (nordeste do Brasil) e Sudoeste da região (Chile e sul do Peru).

Sub-regiões da América do Sul

Nordeste da América do Sul (NES) - Nordeste do Brasil:

Alta confiança de que haverá um aumento dominante na duração da seca;

Confiança média de que aumentarão a intensidade e frequência das precipitações extremas, além de inundações causadas pela chuvas, se a temperatura global crescer 2°C ou mais.

Norte da América do Sul (NSA) - Norte da Amazônia brasileira, leste da Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa:

Alta confiança em um aumento dominante no número de dias secos e na frequência das secas;

Confiança média de que aumentarão a intensidade e a frequência das precipitações extremas, além das inundações causadas chuvas, se a temperatura global crescer 2°C ou mais.

Monções da América do Sul (SAM) - Sul da Amazônia brasileira, parte do Centro-Oeste e Bolívia:

Há pouca confiança nas mudanças projetadas de precipitação, mas alta confiança de que as monções da América do Sul serão atrasadas durante o século 21.

Existem projeções de aumento da seca agrícola e ecológica para meados do século 21, para 2 ° C do nível de aquecimento global e acima (alta confiança).

Aumentos em um ou mais aspectos entre seca, aridez e clima de incêndio (alta confiança) afetarão uma ampla gama de setores, incluindo agricultura, silvicultura, saúde e ecossistemas.

Projeta-se que a intensidade e frequência de precipitação extrema e inundações pluviais aumentem (confiança média) para um nível de aquecimento global de 2 ° C e acima.

Na Amazônia, o número de dias por ano com temperaturas máximas superiores a 35 ° C aumentaria em mais de 150 dias até o final do século 21 no cenário SSP5-8.5, enquanto se espera que aumente em menos de 60 dias no cenário SSP1-2.6 (alta confiança).

Sudeste da América do Sul (SES) - Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste brasileiro, Paraguai, Uruguai e grande parte da Argentina:

Crescimentos da precipitação média e extrema são observados desde 1960. Impulsionam essa mudança o aumento na emissão dos gases de efeito estufa e aerossóis e a redução da camada de ozônio;

Confiança média de que aumentarão a intensidade e a frequência das precipitações extremas, além das inundações causadas chuvas, se a temperatura global crescer 2°C ou mais.
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