Família de brasileiro morto a tiros no Paraguai diz que jovem não era ladrão: 'Além do sofrimento, temos que aturar o julgamento'

Por Redação em 28/09/2021 às 06:36:01
Rogério Laurete Buosi, de 26 anos, foi encontrado baleado em casa em Pedro Juan Caballero; bilhete foi deixado ao lado do corpo com a mensagem “não roubar na fronteira”. Corpo do rapaz foi enterrado em Araçatuba (SP). Rogério Laurete Buosi, morador de Araçatuba (SP), foi morto a tiros no Paraguai

Reprodução/Facebook

A irmã do brasileiro Rogério Laurete Buosi, de 26 anos, executado a tiros em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, afirmou em entrevista ao g1 que o jovem não tinha envolvimento com o crime.

Rogério foi morto por volta das 22h do último sábado (25). Um bilhete escrito à mão com a mensagem “não roubar na fronteira” foi encontrado ao lado do corpo.

“Ele gostava de viver a vida intensamente, mas não estava roubando. Acredito que colocaram o papel para disfarçar. Ficou um comentário de que meu irmão mereceu morrer porque era ladrão. Além de passarmos pelo sofrimento, temos que aturar o julgamento das pessoas”, lamentou a irmã de Rogério, Ana Lara Batista Leal.

Bilhete foi deixado ao lado do corpo da vítima.

Polícia paraguaia/Reprodução

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De acordo com Ana Lara, Rogério se mudou para o Paraguai a trabalho havia cerca de dois meses.

“O que ficamos sabendo é que meu irmão foi encontrado morto pela amiga. Eles estavam bebendo em algum lugar, mas meu irmão decidiu voltar para a casa. Ele tinha problema com pressão alta e disse que tomaria um remédio para dormir. Meu irmão morreu dormindo, deitado no colchão. Acreditamos que a pessoa que cometeu o crime sabia que meu irmão estava sozinho na casa”, disse.

Conforme boletim de ocorrência da força de segurança paraguaia, a causa da morte de Rogério foi traumatismo craniano, provocado por 11 disparos de arma de fogo. Sete tiros atingiram a cabeça três o braço e um a mão do jovem.

“A polícia não deu um esclarecimento oficial. Ficamos sabendo do acontecido por uma da amiga do meu irmão que mora no Paraguai. Não tivemos nenhuma informação oficial. Foi um choque muito grande”, explica Ana Lara.

Ainda segundo Ana Lara, o corpo de Rogério foi velado e enterrado em Araçatuba, interior de São Paulo, na noite de segunda-feira (27).

“Minha mãe precisa saber o motivo de terem tirado a vida do meu irmão. É complicado porque meu irmão tinha um coração muito bom. Realmente não sabemos o que aconteceu para o meu irmão ser morto dessa forma”, disse.

A morte de Rogério é investigada pela polícia paraguaia. O g1 entrou em contato com o Consulado-Geral do Brasil do Paraguai, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

Fronteira sangrenta

Bilhete deixado por "justiceiros" após duplo homicídio na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai

Redes Sociais

Mortes com essas características já ocorreram no passado e mais recentemente na região, que é uma das mais violentas na fronteira com o Mato Grosso do Sul.

Em agosto, dois jovens, que seriam irmãos brasileiros, foram assassinados, na fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Como ocorreu em outros casos, foi deixado um bilhete atribuindo o crime aos “Justiceiros da Fronteira”.

Policiais paraguaios disse que encontraram os 'avisos' em postes em Pedro Juan Caballero e Ponta Porã

Polícia do Paraguai/ Reprodução

Um mês antes, o casal Mateo Martínez Armoa, de 21 anos, e Anabel Centurion Mancuelo, de 22, foram executados com 47 tiros em uma choperia também na cidade de Pedro Juan Caballero (veja vídeo abaixo).

Casal é executado na fronteira do Paraguai e pistoleiros deixam recado: 'Favor não roubar'

Segundo a polícia paraguaia, os pistoleiros deixaram um bilhete, escrito em espanhol, preso à cabeça do jovem e com assinatura de "Justiceiros da Fronteira": "Favor não roubar" .

Um dia depois da morte do casal, um adolescente de 17 anos foi encontrado sem mãos e com o bilhete: 'os justiceiros estão de volta. O crime aconteceu na mesma fronteira.

Em maio, um vídeo circulou nas redes sociais mostrando um homem, sendo executado com tiros de fuzil, em uma das ruas que faz fronteira entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Cabellero.

Também em maio, três homens foram mortos a tiros e os suspeitos pelos assassinatos ainda colocaram cartazes de alerta sobre os corpos com as palavras "não roubem".

Os casos de violência e morte na fronteira não são recentes.

No ano passado, câmeras de segurança flagraram a execução do brasileiro Uderson Itrio Fernandes de Araújo, 32 anos. Ele estava na frente da casa dele, em Pedro Juan Caballero, quando foi baleado. O vídeo mostrou toda a ação (veja abaixo).

Homem é executado com tiros de fuzil, na linha de fronteira de MS com Paraguai

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