Moraes prorroga por 90 dias inquérito que apura milícia digital

Por Redação em 11/10/2021 às 16:17:41
Ministro atendeu a pedido da PF; policiais já ouviram blogueiros e 'influencers' pró-governo. Inquérito apura se aliados de Bolsonaro se articularam para atentar contra a democracia. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, prorrogou por mais 90 dias o inquérito que investiga uma suposta milícia digital que teria atuado contra a democracia e o Estado democrático de direito.

Moraes atendeu a um pedido da Polícia Federal, que requereu ao Supremo mais prazo para concluir as apurações. As investigações envolvem aliados do presidente Jair Bolsonaro.

A PF apura indícios e provas que apontam para a existência de uma organização criminosa que teria agido com a finalidade de atentar contra o Estado democrático de direito e que se articularia em núcleos de produção, publicação, financiamento e político. Outra suspeita é de que esse grupo tenha sido abastecido com verba pública.

Uma das diligências pendentes é o depoimento do escritor Olavo de Carvalho. A PF quer apurar se há ligação do escritor com a suposta milícia digital. Os investigadores já ouviram blogueiros e youtubers que apoiam o governo do presidente Jair Bolsonaro.

A investigação se concentra em saber se os blogueiros recebem doação, como fazem a monetização dos canais e se eles tinham conhecimento ou não de fraudes no sistema do TSE. A maioria admite que não tem conhecimento de problemas no sistema e diz que estavam emitindo opinião pessoal

O inquérito foi aberto no começo de julho, após o ministro Alexandre de Moraes ter determinado o arquivamento do inquérito que investigou atos antidemocráticos deflagrados no início do ano passado. O arquivamento atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República.

Ao STF, a delegada Denisse Dias Rosas Ribeiro, que comanda a investigação no inquérito sobre a organização de milícias digitais, pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mais prazo para a continuidade da apuração.

"Considerando a expiração do prazo de permanência do inquérito em sede policial, bem como a necessidade de prosseguimento das investigações, determino: sigam os autos ao crivo do Exmo. Sr. Ministro Relator, para ciência e concessão de novo prazo para continuidade da apuração", afirmou a delegada em documento enviado na última semana à Corte.
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