Grupo de corredores de São Carlos chega à Aparecida após percorrer por 13 dias o Caminho da Fé

Por Redação em 12/10/2021 às 22:28:26
Corredores percorreram 540 km para chegar a Basílica no Dia da Padroeira do Brasil. Grupo de São Carlos percorreu 540 km correndo até a Basílica de Aparecida

Arquivo pessoal

Entre tantos romeiros que chegaram à Basílica de Aparecida nesta terça-feira (12) para homenagear Nossa Senhora no dia dela, um grupo São Carlos (SP) se destaca pela forma como chegou. Diferentemente dos peregrinos que fazem o trajeto do Caminho da Fé caminhando ou de bicicleta, o metalúrgico Eduardo Donizeti Bispo dos Santos (Granola), de 46 anos, o comerciante Márcio Ghidelli, de 46, e o biólogo Luiz Joaquim, de 63, chegaram a Aparecida correndo.

Todos são corredores experientes, mas enfrentaram o percurso pela primeira vez. A ideia de fazer o Caminho da Fé veio de um sonho que Granola, que nunca havia ido a Aparecida, teve em 2020.

A vontade ficou ainda mais forte depois que a filha grávida teve Covid-19 e se recuperou.

“A maior parte dos dias, eu passei correndo em louvor à saúde da minha filha Maria Eduarda e da minha neta Eloá”, contou.

Granola começou a compartilhar a ideia com os colegas e ganhou mais parceiros para a aventura. Os corredores e o aposentado Nelson Romanatto, de 68 anos, que foi com o carro de apoio, saíram da Catedral de São Carlos em 30 de setembro e percorreram os 540 km até o Santuário de Aparecida em 13 dias, uma média de 54 quilômetros diários – houve três dias de descanso durante o percurso -, sendo que o recorde foi de 61 quilômetros percorridos em um único dia.

Eduardo Granola teve um sonho e cumpriu o desejo de ir à Aparecida

Arquivo pessoal

No último sábado (9), o empresário Claudio Dotelli, de 59 anos, que havia partido dois dias antes de bicicleta de Inconfidentes (MG), alcançou os romeiros e o grupo concluiu junto o percurso.

“Foi uma experiência ótima que vai se repetir várias vezes ainda e quero começar de São Carlos. Conheci pessoas maravilhosas, aí que a gente vê mesmo que há muito gente boa nesse mundo”, diz Dotelli.

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Sinais de Nossa Senhora

Os peregrinos costumam dizer que o Caminho da Fé é único e diferente para cada um. Para Granola, ele foi acompanhado por sinais emitidos por Nossa Senhora ao longo do percurso.

O primeiro sinal, segundo ele, aconteceu no terceiro dia de corrida, quando passou mal no trajeto entre Casa Branca (SP) e São Roque de Minas (MG) e precisou terminar o percurso de bicicleta.

Márcio Ghidelli, Eduardo Granola e Luiz Joaquim (da esq. para a dir.) correram 540 km em 13 dias de São Carlos a Aparecida

Arquivo pessoal

Granola conta que chegou a pensar que seria o fim do Caminho para ele, mas o cuidado da dona da pousada o fez continuar:

“Ela disse que iria cuidar de mim como de um filho e eu iria voltar a correr. Ela fez chá, me alimentou e no outro dia eu estava bem. Ela então disse que Nossa Senhora iria me pegar com as suas mãos e me levar”, lembra.

O outro sinal ele conta que foi na subida da Luminosa, um dos pontos mais difíceis do Caminho, quando ele recebeu um rosário do motorista de um caminhão de apoio que estava na beira da estrada.

“Ele disse que todo ano ele guarda um rosário para dar para um peregrino. Tinha mais de 30 pessoas lá e no momento que eu cheguei ele resolveu tirar o rosário do caminhão para me dar”, conta Granola que seguiu com o objeto pendurado no pescoço até Aparecida.

O último sinal aconteceu nesta terça-feira, quando ele teve a companhia, por 8 quilômetros, de um menino de 12 anos que correu da pousada onde estavam até a casa da sua avó.

Grupo de corredores de São Carlos teve a companhia de menino de 12 anos na última parte do trajeto até Aparecida

Arquivo pessoal

“Quando eu cheguei na pousada, ele ficou me olhando e depois me pediu para correr com a gente. Eu aceitei desde que a mãe concordasse, achando que ele não iria, mas acordamos às 5 horas e fomos tomar café da manhã e ele já estava lá esperando e correu até a casa da vó dele. Tem três coisas que eu não suportaria ver serem maltratados: criança, cachorro e idoso e hoje eu corri ao lado de uma criança, tinha três cachorros nos acompanhando e eu brinco que o Luizinho que tem 63 anos é idoso”, diz Granola.

Emoção inesquecível

Granola falou com o g1 da estrada, já voltando para a casa em São Carlos. Segundo o metalúrgico “a ficha ainda está caindo”, mas ele considera as duas últimas semanas como das mais intensas da sua vida e disse não estar nem um pouco cansado.

“Você corre e não percebe. É lindo. Fora as pessoas no caminho que batem palma, querem te dar agua, te colocam pra cima, parece que te empurram”, conta. “Haviam me dito que no Caminho da Fé a gente supera as dores e é verdade. Você imagina, correr todos esses dias e eu estou como se não tivesse acontecido nada!”

Grupo de São Carlos que fez o Caminho da Fé correndo com outros peregrinos.

Arquivo pessoal

Em sua primeira vez em Aparecida, Granola ficou impactado com a grandeza e a beleza da Basílica e diz que irá guardar para sempre a experiência que viveu.

“As pessoas dizem: "você acabou o Caminho da Fé", mas para mim não terminou porque o que eu vivi nesses dias não vai sair da minha cabeça, não vai acabar”.

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