Preço de alguns alimentos chega a dobrar após início da pandemia; veja comparativo

Por Redação em 24/10/2021 às 09:01:48

G1 comparou os preços dos produtos entre 2020, antes da declaração de pandemia da Covid-19, e agora em um supermercado para mostrar as diferenças; economista explica a alta. Preço dos alimentos teve alta após início da pandemia

Luciano Tolentino/EPTV

Colocar comida na mesa ficou mais caro. Desde o começo da pandemia, as manchetes foram de alta nos preços da carne, ovos, café e interferências na economia que deixaram o prato do brasileiro mais caro. O g1 comparou os preços dos produtos entre 2020, antes da declaração de pandemia da Covid-19, e agora em um supermercado para mostrar as diferenças (veja a imagem abaixo) e consultou um economista para entender a alta.

Veja comparativo de preços de produtos antes e depois da pandemia

Arte/g1

Para a pesquisa, o g1 consultou um caderno de produtos de um supermercado em Taubaté de 15 de março de 2020 e comparou com os preços dos mesmos produtos, incluindo marcas e pesagem, anunciados na última quarta-feira (19).

O que aumentou mais?

Na lista, há produtos que dobraram o preço, como foi o caso do açúcar, que passou de R$ 1,79 para R$ 4,34 o pacote de um quilo; o quilo da coxa e a sobrecoxa do frango, que custava R$ 5,49 em 2020, passou para R$ 10,99; e o café, que saiu de R$ 5,99 para R$ 11,99.

Aumento da exportação com desabastecimento no exterior pela pandemia é um dos fatores que elevaram os preços

Patrícia Figueiredo/g1 SP

O que levou a alta?

De acordo com o Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais (Nupes), da Unitau, há ao menos três fatores principais que levaram a alta dos alimentos. Primeiro, a alta das comodities, que são os produtos de base da alimentação e produção, como grãos e a carne. Isso ocorre porque as empresas que produzem isso no Brasil têm participação internacional e com a desvalorização do real, os produtos ficaram mais caros.

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Depois, houve alta demanda internacional, reflexo da pandemia. Países europeus, por exemplo, não deram conta de atender a demanda interna com as paradas de produção pela pandemia e, com isso, aumentou a busca por produtos internacionais. O Brasil, por sua vez, decidiu investir na exportação, onde o produto era pago com melhor preço. Isso fez com que a produção restante interna não desse conta da demanda. Com menos produtos nas prateleiras, mas, com alta procura, o resultado foi alto preço.

Apenas a pandemia é responsável por esse efeito?

Segundo o pesquisador do Nupes, José Joaquim do Nascimento, a pandemia é uma situação atípica e forçou os resultados diante de uma falta de resposta de gestão do governo. Ele avalia que o país deveria ter imposto restrições de importação para garantir que os produtos circulassem com preços menores.

“O Brasil teve a estratégia de permitir a exportação sem fazer uma gestão interna, como outros fizeram. Isso fez os preços aumentarem e reduzir a quantidade e qualidade do que circula aqui. Estamos sucumbindo à miséria em um país que é uma plataforma de riqueza alimentar e que abastece o mundo. Não tem o controle para alimentar o cidadão interno. Ou seja, o governo não teve políticas para manter as pessoas alimentadas”, explica.

Pacote de arroz supera R$ 18

Reprodução/TV Anhanguera

Com a desaceleração da pandemia, há perspectiva de retração nos preços?

Para o especialista, ainda é cedo para falar em baixa. Alguns os fatores, são que a recuperação da produção vai ser menor que a recuperação da demanda. A tendência é de melhora em emprego, ainda que precário, com o fim de ano, e isso vai gerar uma demanda ainda mais alta que, não suprida, eleva os preços dos produtos. Os países da Europa e a China seguem desabastecidos e buscando no Brasil produtos e, com a postura do governo com a exportação, o desabastecimento vai permanecer.

“Para além disso, ainda temos a instabilidade política que piora nossa economia. Além disso, ainda temos alta da gasolina e energia, que fazem parte da cadeia de produção. A única coisa que não aumentou é a mão de obra. Isso é um problema para a população e para mercado a longo prazo. Se a renda não acompanha e não traz poder de compra, isso instabiliza o ciclo”, explica.

E como manter a comida no prato?

O Eduardo Bartolotto é vigilante e mora com a esposa, que é professora. Ele conta que o prato mudou radicalmente com a pandemia. Se antes ele podia comer carne na semana, hoje restringe ao fim de semana, e às vezes ainda tem de segurar ainda mais o consumo para manter os demais itens da alimentação.

“A gente passou a comprar ovo, mas até isso aumentou. Então, a gente come mais legume e verdura para segurar e vai com o que dá, com o que tem dinheiro para comprar. Certas coisas, como café, a gente teve que trocar por produtos de qualidade inferior”, explica.

Ele e a esposa estão empregados, mas sentiram as contas pesarem e a qualidade de vida mudar radicalmente. “Se antes você enchia um carrinho com R$ 600 e um salário mínimo podia bancar as contas básicas da casa para duas pessoas, hoje você passa apertado”.
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