Após Guedes admitir furar teto de gastos, mercado financeiro passa a prever alta maior dos juros

Por Redação em 25/10/2021 às 08:53:36
Puxada maior na taxa básica de juros, a economia, terá início nesta quarta-feira, quando se reúne o Copom, do Banco Central. Além de juro maior, mercado também vê inflação de quase 9% e alta do PIB abaixo de 5% em 2021. O mercado financeiro passou a prever um aumento maior na taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, em 2021 e 2022. A Selic é definida pelo Banco Central para tentar conter a inflação.

As previsões do mercado constam no relatório "Focus", divulgado nesta segunda-feira (25) pelo Banco Central (BC). Os dados foram levantados na semana passada, em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

A alta maior nos juros estimada pelos economistas dos bancos acontece após o ministro da Economia, Paulo Guedes, ter proposto na semana passada furar o teto de gastos (mecanismo que limite o aumento da maior parte das despesas à inflação do ano anterior).

Guedes tem dito que a furada no teto de gastos tem por objetivo ampliar o benefício social, por meio do Auxílio Brasil, mas analistas têm apontado que seria possível incrementar o programa sem estourar o limite para despesas. E apontam que as emendas parlamentares seriam um dos destinos dos recursos extras.

O início da puxada na taxa Selic terá início nesta semana. De acordo com o mercado financeiro, a taxa básica da economia deve subir dos atuais 6,25% para 7,5% ao ano - uma alta de 1,25 ponto percentual. Até então, o mercado acreditava em um crescimento menor, de 1 ponto percentual nesta semana.

O mercado financeiro também elevou de 8,25% para 8,75% ao ano a previsão para a Selic no fim de 2021. E, para o fim de 2022, os economistas do mercado financeiro subiram a expectativa para a taxa Selic de 8,75% para 9,5% ao ano, o que pressupõe alta do juro básico da economia também no próximo ano.

Em março, na primeira elevação em quase seis anos, a taxa básica da economia foi aumentada pelo BC para 2,75% ao ano. Em maio, o Copom elevou o juro para 3,5% ao ano e, em junho, a taxa avançou ara 4,25% ao ano. Em agosto, a taxa subiu para 5,25% ao ano e, na semana passada, foi elevada para 6,25% ao ano.

Inflação e PIB

Além de uma alta maior na taxa de juros, o mercado financeiro também elevou, na semana passada, a estimativa para a inflação oficial do país para quase 9% neste ano, ao mesmo tempo em que baixo a previsão de alta do PIB para 4,97% - abaixo da barreira dos 5%.

Para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a expectativa do mercado para este ano subiu de 8,69% para 8,96%. Foi a vigésima nona semana de aumento.

O centro da meta de inflação, em 2020, é de 3,75%. Pelo sistema vigente no país, será considerada cumprida se ficar entre 2,25% e 5,25%. Com isso, a projeção do mercado já está acima do dobro da meta central de inflação (7,5%).

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia.

Em 2020, pressionado pelos preços dos alimentos, o IPCA ficou em 4,52%, acima do centro da meta para o ano, que era de 4%, mas dentro do intervalo de tolerância. Foi a maior inflação anual desde 2016.

Para 2022, o mercado financeiro subiu de 4,18% para 4,40% a estimativa de inflação. Foi a décima terceira alta seguida. No ano que vem, a meta central de inflação é de 3,50% e será oficialmente cumprida se o índice oscilar de 2% a 5%.

Os economistas do mercado financeiro reduziram a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,01% para 4,97% em 2021.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

Para 2022, o mercado baixou a previsão de alta do PIB de 1,50% para 1,40%.

Outras estimativas

Dólar: a projeção para a taxa de câmbio no fim de 2021 subiu de R$ 5,25 para R$ 5,45. Para o fim de 2022, avançou de R$ 5,25 para R$ 5,45 por dólar.

Balança comercial: para o saldo da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações), a projeção em 2021 subiu de US$ 70,25 bilhões para US$ 70,5 bilhões de resultado positivo. Para o ano que vem, a estimativa dos especialistas do mercado recuou de US$ 63,65 bilhões para US$ 63 bilhões de superávit.

Investimento estrangeiro: a previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil neste ano permaneceu em US$ 50 bilhões. Para 2022, a estimativa caiu de US$ 60,25 bilhões para US$ 60 bilhões.
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