"Uma ação orquestrada para intimidar a força policial", diz defesa de PMs envolvidos em abordagem na CIC

Por Redação em 25/10/2021 às 16:28:44

Esta abordagem na CIC aconteceu na madrugada do último sábado (25). Um vídeo mostra cenas da confusão envolvendo algumas abordagens na Rua Raul Pompéia. A empresária que afirmou ter sofrido agressões da equipe policial que realizou a abordagem, inicialmente, filma a prisão de um rapaz.

Em seguida, ainda com a câmera, ela se aproxima dos PMs e demonstra seu espanto com a abordagem. “Vocês passaram dos limites! Ridículos”, repete Stephany durante a gravação. O celular é derrubado na rua e, após a queda, um homem pega o aparelho e continua as filmagens. É neste momento em que as agressões contra a empresária começam (veja a situação neste link).

“As imagens foram fragmentadas e em um contexto que não coincide nem com as lesões, nem com o que foi filmado, estão sendo publicadas. Mas isto não reflete a opinião pública (…). Existe uma opinião publicada para incriminar e fazer uma caricatura daquilo que já é grave e sério. (…) A Polícia Militar foi atender um "clamor" de uma comunidade.”, opiniou Dalledone.

Uso da força

Também à Banda B, o capitão Ronaldo Goulart, responsável pela Aifu, ressaltou que o uso da força foi necessário para que a empresária fosse contida. Ainda, segundo ele, a mulher agiu de forma "desequilibrada". “A partir dos exames ela recusou a limpeza dos ferimentos. Ela queria aproveitar a imagem para elaborar seus vídeos”, disse à reportagem neste domingo (25).

Dalledone também analisou a situação.

“O sargento, no uso progressivo da força, não deu nenhum golpe contundente, não agrediu a menina. A moça, que se diz vítima, quando resistiu porque chamou de f.d.p [sic] o capitão, recebeu a voz de prisão, resistiu à prisão cometendo mais um crime. Ela não queria ser algemada e, para ser contida, acabou tendo aquelas escoriações no rosto”, refletiu o advogado.

Stephany

Stephany Rodrigues, a empresária envolvida na polêmica abordagem, é dona de uma hamburgueria no bairro. O comércio foi fechado por estar com a ocupação acima da capacidade permitida por decreto municipal. O local foi multado em R$ 30 mil por conta do descumprimento e, também, por não fornecer álcool gel.

O advogado de Stephany, Igor José Ogar, disse em entrevista à Banda B, também no sábado (23), que as imagens registradas evidenciam o abuso de autoridade durante a abordagem. Ele citou, inclusive, que a agressividade dos policiais é clara nos vídeos.

“Posso dizer, em defesa da Stephany (…), que é latente o abuso de autoridade, o qual salta os olhos tamanha agressividade e desproporcionalidade nos atos praticados por esse policial e por aquele batalhão que observa inerte sem tomar nenhuma atitude, mesmo quando sabe que as imagens estão sendo registradas pela população e familiares da vítima”, afirmou Ogar.

Após a abordagem, a mulher foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) para cuidar dos ferimentos. Em seguida, Stephany foi levada à delegacia acusada pelos crimes de desacato e resistência à prisão.

Governo pede apuração rigorosa

Governo do Paraná já se manifestou sobre o caso e destacou que excessos nas ações da PM não podem ser tolerados. A determinação é para que a agressão da empresária receba apuração rigorosa. A Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR) determinou às polícias que apurem o caso. A conclusão dos procedimentos deve ser de pelo menos 30 dias.

Repúdio da OAB-PR

Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PRexpressou repúdio à agressão sofrida pela empresária no CIC. A ordem classificou a ação como exagerada e com “inaceitável uso da força contra a cidadã, a pretexto de desacato”.

Para a OAB, as forças policiais devem proteger a população com segurança e é inimaginável que diligências de índole fiscalizatória a respeito das regras sanitárias de prevenção a Covid-19 resultem em atos tão violentos.

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