Herdeiro da Samsung é condenado por consumo ilegal de anestésico

Por Redação em 26/10/2021 às 06:19:44

Lee Jae-yong, herdeiro e vice-presidente da Samsung Electronics e líder de fato do Grupo Samsung, chega para julgamento sobre uso ilegal do propofol anestésico no Tribunal Distrital Central de Seul, na capital da Coreia do Sul, em 26 de outubro de 2021

Anthony Wallace/AFP

O vice-presidente e herdeiro da gigante sul-coreana Samsung, Lee Jae-yong, foi condenado nesta terça-feira por consumo ilegal do anestésico médico propofol, no mais recente revés judicial para o multimilionário, informou a agência de notícias nacional.

O executivo da maior fabricante mundial de telefones e dono da 238ª maior fortuna do mundo, segundo a revista "Forbes", foi multado em 60.000 dólares pelo tribunal do distrito central de Seul, de acordo com a agência Yonhap. A soma equivale a cerca de 0,0006% da fortuna de Lee, estimada em US$ 10,2 bilhões.

O empresário foi condenado por ter tomado repetidamente o anestésico em uma clínica de cirurgia plástica de Seul, durante vários anos. O propofol é um anestésico médico, mas às vezes é usado com fins recreativos, e uma overdose da droga foi descrita como causa da morte do popstar Michael Jackson, em 2009.

O consumo costuma ser visto como um crime menor na Coreia do Sul, e os promotores pediram inicialmente uma multa de cerca de 40 mil dólares, em um procedimento em que casos menos graves não chegam aos tribunais. Mas o tribunal reverteu a decisão da promotoria e ordenou um julgamento.

"A quantidade injetada é muito alta e a natureza do crime cometido não é leve, considerando a responsabilidade social do réu", declarou o juiz Jang Young-chae, que multou Lee em 60 milhões de dólares e ordenou que ele renunciasse a cerca de 15 mil dólares em bens, exigindo do mesmo "adotar um comportamento exemplar, que não envergonhe seus filhos".

Vestindo terno escuro e máscara, Lee, 53, permaneceu em silêncio ao entrar no tribunal, evitando os jornalistas. No início de seu julgamento, semanas atrás, ele se desculpou com o tribunal "por causar tantos problemas e preocupações devido a um assunto pessoal", mas insistiu em que a injeção era "para fins médicos".

Embora a multa seja de uma quantia insignificante para o empresário, o caso representou um constrangimento para a Samsung e para Lee, mergulhado em problemas legais por cinco anos devido a um escândalo de corrupção. Há dois meses, ele foi libertado antecipadamente de uma pena de dois anos e meio de prisão por suborno, peculato e outros crimes relacionados ao caso de corrupção que derrubou a ex-presidente sul-coreana Park Geun-hye.
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