Entenda formação rochosa da gruta que desabou matando nove pessoas em Altinópolis, SP

Por Redação em 01/11/2021 às 10:34:26
Geólogo diz que cavernas na região do município são formadas por areias acumuladas por milhares de anos. Desabamento na gruta Duas Bocas matou nove pessoas no domingo (31). Nove bombeiros civis morrem soterrados durante treinamento em gruta de Altinópolis

A gruta Duas Bocas, local onde nove bombeiros civis morreram soterrados no domingo (31) em Altinópolis (SP), é uma formação rochosa formada por arenito, afirma o geólogo Willian Sallun.

“As cavernas na região de Altinópolis são compostas por arenito, que são rochas formadas pela consolidação de areias antigas de milhões de anos atrás. O arenito, por sua própria composição de grãos de areia, com o passar do tempo e o contato com a água, vai deixando de ser rocha e vai voltando a ser areia novamente.”

A caverna fica ao lado da Gruta do Itambé, conhecido ponto turístico na cidade por causa das cachoeiras. Apesar disso, a Duas Bocas não é visitada com frequência por causa da dificuldade de acesso. Para chegar ao local, é preciso percorrer uma trilha de um 1,5 quilômetro pela mata.

De acordo com Sallun, a formação da gruta é diferente das cavernas em municípios vizinhos no estado de Minas Gerais, por exemplo, que são compostas por calcário. “O calcário é uma rocha, em geral, mais resistente em termos de erosão.”

Veja trabalho dos bombeiros dentro da Gruta Duas Bocas:

Nove bombeiros civis morrem após desabamento em gruta em Altinópolis, SP

Segundo o especialista, ainda é cedo para afirmar o que provocou o desabamento do teto no momento em que um grupo de 28 pessoas fazia um treinamento. Mas a chuva que atinge a região nos últimos dias pode ter influenciado a movimentação.

O serviço de meteorologia Climatempo registrou 29 milímetros de chuva só no domingo em Altinópolis. Durante todo o mês de outubro foram 335 milímetros, sendo que a média é DE 138.

“Não é uma coisa tão comum [desabamento]. Claro que a chuva pode ter trapalhado, mas é difícil a gente dizer agora. Pode ter sido algum fator externo, alguma intervenção na superfície. Só com o tempo algumas análises poderão dizer o que foi o motivador.”

A perícia está prevista para acontecer nesta segunda-feira (1º).

Equipes dos bombeiros e socorristas na entrada da Gruta Duas Bocas em Altinópolis, SP

Murilo Badessa/EPTV

Durante o trabalho de resgate, o Corpo de Bombeiros precisou escorar o teto da caverna para evitar novos desabamentos. Sallun afirma que é difícil analisar a instabilidade do arenito após o deslocamento.

“Se você está lidando com blocos resistentes, você vai arrancando esses blocos e cavando para chegar nas pessoas que estão desaparecidas. Como lá é um material arenoso, precisa cavar esse material arenoso e você não sabe o quanto o teto da caverna ainda está suscetível e confiável.”

Bombeiros trabalham no resgate das vítimas soterradas na Gruta Duas Bocas em Altinópolis, SP

Divulgação

Teto desabou durante treinamento

O desmoronamento aconteceu por volta da 1h de domingo. De acordo com o Corpo de Bombeiros, 28 bombeiros civis e instrutores faziam um treinamento no interior da gruta, quando o teto da caverna desabou, deixando parte do grupo retido. A atividade era promovida pela escola Real Life, com escritório em Ribeirão Preto (SP).

Segundo a professora Cristina Triffoni, mãe do instrutor Rodrigo Triffoni Calegari, o grupo passaria a noite no local como parte do treinamento. O filho dela, de 32 anos, morreu no acidente.

Por volta das 9h45, o Corpo de Bombeiros informou que a primeira vítima foi retirada com vida. Walace Ricardo da Silva foi levado para o HC-UE, em Ribeirão Preto. Outras seis pessoas que conseguiram sair a tempo sofreram ferimentos leves, foram levadas ao hospital e já receberam alta.

Arte/G1

Especialistas em resgate, técnicos da Coordenadoria Estadual da Defesa Civil e um geólogo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) foram levados de helicóptero a Altinópolis para reforçar o trabalho.

A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros informaram que não foram comunicados anteriormente sobre a realização do treinamento.

O dono da empresa Real Life, Sebastião Abreu, disse que treinamentos como esse são comuns na escola. Ele não soube informar, no entanto, se havia autorização para a atividade.

Por causa da chuva, Abreu informou que o curso poderia ter sido adiado, mas que os instrutores no local decidiram por dar continuidade à prática.

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