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Crise Global e a Insegurança Energética do Brasil: Perspectivas do Ex-Presidente da Petrobras

© Lucio Bernardo Jr./Câmara dos Deputados

A guerra no Irã e o subsequente choque do petróleo, agravado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, expõem a vulnerabilidade energética do Brasil. A interrupção de projetos de ampliação do refino nacional, influenciada pela Operação Lava Jato e pela pressão de multinacionais, deixou o país suscetível às turbulências globais.

Essa análise é de José Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, que recentemente lançou "Economia do Hidrogênio: paradigma energético do futuro", uma obra que discute as perspectivas do hidrogênio na transição energética, editada pelo Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).

Em entrevista à Agência Brasil, Gabrielli ressaltou que, sem capacidade de refino adequada para atender à demanda interna, especialmente de diesel, o Brasil se encontra exposto às oscilações do mercado. Ele também abordou a tentativa dos Estados Unidos de interferir no mercado petrolífero global através de ações na Venezuela e no Irã, prevendo uma alteração na geografia do comércio de petróleo com maior participação do Brasil, Canadá e Guiana na oferta de óleo bruto para China e Índia.

Impactos da Crise Geopolítica no Mercado de Petróleo e Gás

Gabrielli descreveu o cenário atual como um "terceiro grande choque do petróleo", com efeitos estruturais profundos na comercialização de óleo e, especialmente, de gás, devido a ataques a importantes fontes produtoras globais. Ele notou que, enquanto o impacto inicial no petróleo pode ser mais suave, suas consequências serão de longo prazo, com novas refinarias no Oriente Médio (Arábia Saudita, Emirados Árabes e Irã) focando seus suprimentos para a China e Índia.

A Estratégia Americana e o Controle do Petróleo

A política agressiva dos EUA, iniciada por Trump, visa o controle do mercado de petróleo. Gabrielli citou o exemplo da Venezuela, cujo tipo de petróleo é complementar às refinarias norte-americanas. O Irã, segundo maior produtor do Oriente Médio, opera um mercado paralelo que atende à China devido às sanções. A guerra, ao afetar as exportações iranianas e o controle do Estreito de Ormuz (com pagamentos em yuan), revela uma crise subjacente na utilização do dólar nas negociações petrolíferas.

O ex-presidente da Petrobras esclareceu que a intervenção atual dos EUA no Irã busca, essencialmente, controlar esse mercado paralelo desenvolvido pelo país.

Reconfiguração da Oferta Global e o Papel do Brasil

Gabrielli apontou Canadá, Guiana e Brasil como os três maiores produtores de petróleo que, independentemente da guerra, injetarão 1,2 milhão de barris novos por dia no mercado até 2027.

O Crescimento da Influência Brasileira no Mercado Asiático

A modificação do suprimento para a China e Índia, que possuem capacidade de refino mas dependem da importação de petróleo, será auxiliada por essa nova oferta. O petróleo brasileiro é particularmente adaptado para as grandes refinarias chinesas, enquanto o canadense se destina às menores. Isso fortalecerá a relação entre Brasil, Canadá, China e Índia no comércio de petróleo, consolidando ainda mais a posição do Brasil como um dos principais exportadores para a China.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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