Ícone do site São Paulo Jornal

Eleições em Israel: Netanyahu Desafia Projeções em Cenário Político Instável

Tem mais eleição: mudar ou continuar com o já conhecido veterano Netanyahu? (Amir Levy/Getty ...

As eleições em Israel se aproximam com resultados de pesquisas acirrados, dificultando qualquer previsão clara do vencedor. Neste cenário de indefinição, a figura do líder político veterano Benjamin Netanyahu, de quase 80 anos, destaca-se novamente por sua notável capacidade de resistência política, confrontando um desejo latente por mudança. Dinâmica Parlamentar e Projeções Eleitorais O sistema parlamentarista israelense, embora vantajoso em crises para permitir rápidas transições governamentais, enfrenta desafios de indefinição quando os resultados eleitorais são muito apertados. Para formar um governo, o primeiro-ministro precisa do apoio de 61 deputados no Parlamento. As últimas projeções indicam que o bloco oposicionista, que abrange desde a centro-esquerda até a direita não religiosa, pode obter cerca de 52 assentos, enquanto o bloco governista alcançaria 50. Formação de Coalizões: O Caminho para Governar A formação do próximo governo dependerá da capacidade de cada bloco em angariar aliados. Benjamin Netanyahu possui maior flexibilidade para atrair partidos ultrarreligiosos, como o Judaísmo Unido da Torá (ramo asquenaze) e o Shas (judeus sefarditas), que já fizeram parte de suas coalizões anteriores. O bloco oposicionista, por sua vez, prometeu não se aliar diretamente aos dois partidos que representam a considerável população palestina com cidadania israelense (20% do total), mas poderia negociar um acordo de apoio implícito. Outras possibilidades incluem um governo de união nacional, geralmente reservado a momentos de crise existencial extrema, ou, em caso de falha nas negociações, a convocação de novas eleições. Estratégia de Campanha e o Cenário Pós-7 de Outubro Netanyahu tem conduzido uma campanha agressiva, caracterizando os opositores como fracos e preferidos pelos inimigos de Israel. Uma tática controversa incluiu a divulgação de uma imagem gerada por inteligência artificial simulando a explosão de uma bomba atômica sobre Tel Aviv, associando-a a um 'segundo Holocausto' promovido pelo Irã. Essa retórica visa reforçar a percepção de que, apesar de suas falhas, o primeiro-ministro possui um pulso firme e insubstituível na segurança nacional. Essa narrativa explica, em parte, sua sobrevivência política após a catástrofe de 7 de outubro de 2023, quando Israel foi surpreendido pelo ataque do Hamas. Apesar do massacre de 1.200 pessoas, um evento que seria fatal para a carreira de qualquer outro líder, Netanyahu não assumiu responsabilidade nem permitiu uma investigação independente sobre os erros sistêmicos que levaram ao despreparo do país. A Alternativa da Oposição: Gadi Eisenkot No bloco de oposição, destaca-se Gadi Eisenkot, um general que foi chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e enfrentou perdas pessoais na guerra de Gaza, incluindo um filho e dois sobrinhos. De ascendência marroquina, Eisenkot apresenta um perfil diferente do de Netanyahu, que tem uma vasta experiência internacional, tendo vivido e estudado nos Estados Unidos. A iminente eleição confronta os eleitores israelenses com uma escolha fundamental: optar pela mudança, com um general de menor traquejo político como alternativa, ou reafirmar o destino do país sob a liderança do homem que acumula dezenove anos no poder. Fonte: https://veja.abril.com.br

Sair da versão mobile