O dólar comercial registrou uma forte queda nesta sexta-feira (9), aproximando-se do patamar de R$ 5,00 e atingindo seu menor nível em mais de dois anos. Concomitantemente, a bolsa brasileira, Ibovespa, alcançou novos recordes históricos, impulsionada por um maior apetite por risco no mercado global.
A valorização dos ativos brasileiros ocorreu em um contexto de estabilidade do petróleo no exterior e da repercussão dos dados de inflação no Brasil. O Ibovespa completou seu nono pregão consecutivo de alta, aproximando-se da marca simbólica dos 200 mil pontos, reflexo da entrada de capital estrangeiro e do otimismo com o cenário internacional, incluindo expectativas de redução de tensões no Oriente Médio.
No âmbito doméstico, investidores reagiram à divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de março, que registrou 0,88%. O índice, acima das projeções, reforçou as expectativas em relação à política de juros no país.
Performance do Dólar
A moeda americana encerrou o dia em baixa de R$ 0,052 (-1,02%), sendo cotada a R$ 5,011, o patamar mais baixo desde 9 de abril de 2024. Ao longo da semana, a divisa acumulou uma desvalorização de 2,9%, e no ano, a queda atinge 8,72%.
Analistas apontam três fatores cruciais para essa retração: o diferencial de juros atrativo entre Brasil e Estados Unidos, o forte desempenho das exportações de commodities brasileiras e o alívio nas tensões geopolíticas globais, que diminui a procura por ativos considerados mais seguros, como o dólar. Adicionalmente, o IPCA de março, superior ao previsto, solidifica a expectativa de manutenção de juros elevados no Brasil, o que amplia a atratividade do real para investidores estrangeiros.
Recordes da Bolsa Brasileira
O Ibovespa registrou um avanço de 1,12%, fechando aos 197.324 pontos, um novo marco histórico. Durante o dia, o índice chegou a superar os 197,5 mil pontos, se aproximando da marca simbólica dos 200 mil. Esta é a nona sessão consecutiva de ganhos e o 16º fechamento recorde, marcando a melhor sequência da bolsa brasileira desde a semana de 19 a 23 de janeiro. Na semana, o índice acumulou alta de 4,93%.
O principal motor desse movimento ascendente tem sido o fluxo de capital estrangeiro. Dados do Banco Central indicam uma entrada líquida de US$ 29,3 bilhões em investimentos em carteira no acumulado de 12 meses até fevereiro. Esse influxo de capital também tem sido fundamental para a valorização do real frente ao dólar, criando um ciclo positivo para os ativos brasileiros.
Cenário do Petróleo Internacional
No mercado global, os preços do petróleo apresentaram uma leve retração, enquanto investidores permanecem atentos às negociações diplomáticas envolvendo o Oriente Médio. O barril do tipo Brent, referência internacional, teve uma queda de 0,75%, sendo cotado a US$ 95,20. Já o barril WTI, do Texas, recuou 1,33%, para US$ 96,57.
Apesar das flutuações, os valores do petróleo se mantêm relativamente estáveis, com o mercado monitorando de perto as discussões entre Estados Unidos e Irã, além dos possíveis desdobramentos dos conflitos na região.

