A “Caminhada da Liberdade” convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) mostrou o poder de mobilização do parlamentar, que liderou o movimento da direita pela derrubada ao veto do presidente Lula (PT) ao PL da Dosimetria. O grupo caminhou aproximadamente 255 quilômetros de Paracatu, no interior de Minas Gerais, até Brasília, onde um evento reuniu os manifestantes contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O protesto que reuniu milhares de pessoas chamou atenção pelo poder de mobilização de Nikolas no início deste ano eleitoral e pelo potencial que o deputado mineiro tem de ser estratégico para a direita nas urnas, em oposição ao projeto de reeleição do presidente petista. E é esse poder de mobilização de Nikolas, embrenhado aos quase 22 milhões de seguidores que ele tem na rede social Instagram — atrás apenas de Bolsonaro entre os políticos brasileiros — que coloca o jovem mineiro de 29 anos entre as lideranças mais influentes do país não só no ambiente virtual, mas também nas ruas.
A caminhada encabeçada por Nikolas Ferreira rapidamente inspirou um movimento similar, que teve início na Região Sul. Além da pressão pela derrubada do veto ao PL da Dosimetria em benefício dos condenados pelos atos do 8 de janeiro de 2023, o movimento iniciado em Porto Alegre (RS) pretende levar para as ruas as principais pautas da direita no ano eleitoral, entre elas segurança pública, liberdade econômica e as eleições ao Senado.
Não é a primeira vez que Nikolas provoca ondas de reverberação de tsunami na mobilização popular em oposição a Lula. Em janeiro de 2025, o deputado mineiro gravou um vídeo sobre a taxação do Pix, que alcançou mais de 130 milhões de visualizações em 24 horas no Instagram e colocou o parlamentar entre os assuntos mais comentados da rede social X no Brasil.
O episódio provocou uma crise no governo Lula, que desencadeou até a mudança no comando da Secretaria de Comunicação na gestão petista. Agora, após a caminhada com o slogan “Acorda, Brasil”, Nikolas chegou até a ser cotado como futuro candidato a presidente por lideranças da direita, entre elas o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O mineiro poderia concorrer ao Palácio do Planalto a partir do ano de 2034, porque a idade mínima para concorrer ao cargo de presidente da República no Brasil é de 35 anos.
VEJA TAMBÉM:
-
Caminhada da Liberdade engaja políticos, mobiliza redes e impulsiona pautas da oposição
Nikolas Ferreira reforça campanha pela eleição a presidente de Flávio Bolsonaro
Com 21,5 milhões de seguidores, Nikolas Ferreira é o principal influencer da direita para as eleições de 2026. Além de “puxar votos” na reeleição a deputado federal em Minas Gerais, o que deve favorecer a bancada do PL em Brasília, ele ocupa papel-chave para a mobilização dos eleitores, das redes para as ruas no país.
Bolsonaro é o principal líder da direita no Instagram com 27 milhões de seguidores, mas o perfil não é atualizado desde julho do ano passado por causa das medidas impostas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é o filho de Bolsonaro com mais seguidores: 8,4 milhões de seguidores. Na esquerda, Lula lidera com 14,4 milhões de seguidores na rede social.
No âmbito político, o deputado estadual Bruno Engler (PL-MG) deve repetir a dobradinha com Nikolas nas eleições de 2026. No último pleito, Engler foi o candidato à Assembleia Legislativa mais votado em Minas Gerais com 637,4 mil votos, enquanto o aliado foi o candidato a deputado federal mais votado do país, com 1,4 milhão de votos.
Na avaliação de Engler, o deputado federal será um player importante para a direita na corrida presidencial em apoio a Flávio. “Ele pode ajudar com sua expertise em falar com a juventude e em comunicação digital, trazendo esse lado mais moderno para a campanha do Flávio. Em Minas, considero o Nikolas um dos pesos-pesados do estado. Se ele fosse candidato ao governo, ganharia, mas esse não é o desejo dele no momento”, disse Engler em entrevista à Gazeta do Povo.
O deputado estadual esteve ao lado de Nikolas na caminhada e aposta que a mobilização espontânea do eleitorado pode se repetir sob a influência do aliado nas eleições pelo país. “Qualquer candidato hoje no Brasil gostaria de ter o Nikolas no seu corner – com exceção do pessoal da esquerda”, avaliou.
Líder da oposição na Câmara dos Deputados, Luciano Zucco (PL-RS), lembrou que o senador Flávio Bolsonaro não participou do movimento porque estava em compromissos oficiais em Israel, mas vê potencial na mobilização para “canalizar uma força política” em torno da pré-candidatura presidencial do PL. “O mais relevante é que isso não foi um ato isolado. Esse movimento agora se espalha, se reproduz nos estados, ganha corpo com novas mobilizações, com a presença do Flávio, do Nikolas e de outras lideranças, despertando as pessoas, tirando-as da inércia”, pontuou Zucco, pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul.
O deputado federal Filipe Barros (PL-PR) recordou das manifestações de rua desde os protestos contra o governo Dilma Rousseff (PT) e admitiu que houve um recuo no último ano, na opinião dele, devido à perseguição sofrida pela direita brasileira. “A principal conquista [da caminhada] sem dúvida foi resgatar a vontade de lutar e a vontade de voltar para as ruas. Isso terá um impacto imenso nas eleições deste ano”, opinou Barros, que irá disputar uma vaga ao Senado paranaense em outubro.
VEJA TAMBÉM:
-
Por que a eleição ao Senado em 2026 será a mais significativa da história do Brasil
Deputado tem desempenho de influencer com alcance comparado a campanhas publicitárias
Desde a vitória de Bolsonaro na corrida à Presidência em 2018, as redes sociais passaram um peso considerável nos pleitos eleitorais do país. A antiga estratégia de campanha com candidatos no corpo a corpo com eleitores pelas ruas e coligações montadas para assegurar o maior tempo de propaganda no rádio e na televisão ganhou um elemento adicional e potencialmente decisivo: o poder de mobilizar as bases pelas plataformas digitais.
Responsável pelo ranking digital dos presidenciáveis, o diretor-executivo da Datrix, João Paulo Castro, ressalta que não existe mais dissociação entre a vida digital e a analógica, ou seja, no ambiente político, o eleitor reage naturalmente ao incentivo que ele encontra nas plataformas e redes sociais. “A vida digital também é a vida normal. Esse é o primeiro ponto. Então, quando a gente fala sobre a capacidade digital de mobilizar as ações na vida real, isso é perfeitamente aplicável ao comportamento humano, inclusive eleitoralmente”, analisa.
Segundo Castro, com uma base de quase 22 milhões seguidores, o deputado Nikolas Ferreira tem um desempenho comparável ao de um digital influencer, com alcance de campanhas publicitárias de grandes marcas. Ele afirma que as postagens do parlamentar têm a capacidade de alcançar mais de 200 milhões de usuários, como aconteceu no vídeo sobre a taxação do Pix.
“Quando o usuário comenta, curte e compartilha, ele divide [o conteúdo] com a base dele. Por isso que o alcance e o engajamento são potencialmente ainda maiores. Ele [Nikolas] consegue fazer uma chamada e essa ação é respondida”, explica.
No entanto, Castro faz a ressalva de que o número de seguidores não é uma garantia de mobilização com reflexo real nas ruas ou nas urnas. “Quando existem vários influenciadores digitais dividindo o patamar, não é uma matemática exata. A briga não é por número de seguidores, e sim pelo engajamento, a capacidade que esses influenciadores têm de movimentar a própria base. O Bolsonaro tem isso, o Lula também e o Flávio tem mostrado esse potencial”, comenta.
Segundo ele, a “elasticidade” das redes sociais se diferencia do voto, pois até opositores podem ser impactados pelas postagens de um deputado de direita, sem deixar a base eleitoral da esquerda. “Isso quer dizer que toda vez que o Nikolas engaja a própria base não significa que ele diminui a influência do Lula […] Não é disputa por voto. Isso é uma disputa por espaço, o que é muito mais relativo e muito mais elástico [no meio digital]”, pondera.
Com quase 3 milhões de seguidores no Instagram, o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) faz parte da safra de novos políticos que priorizam a comunicação digital. Ele compara a estratégia política com um pássaro que, para voar, precisa das duas asas, simbolizando as redes sociais e as ruas.
“Além do trabalho de informação e conscientização que temos na internet, esse contato com o povo é indispensável”, diz o pré-candidato ao Senado, que tomou conhecimento do movimento pelas redes sociais e se juntou a Nikolas no primeiro dia de caminhada. “Ele postou que estava indo e eu já corri pra comprar um tênis.”
VEJA TAMBÉM:
-
Ratinho Jr., Caiado ou Leite: quem será a terceira via de Kassab após o “boa sorte, Flávio”
-
Esquerda comemora descarga elétrica em manifestantes da Caminhada pela Liberdade

