Ícone do site São Paulo Jornal

Mobilização Estudantil da UFF em Niterói Após 1º Turno Eleitoral Impulsiona Ativismo Político

Estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, iniciaram uma mobilização significativa em 5 de outubro, um dia após o primeiro turno das eleições. Convocado pelo Centro Acadêmico Evaristo da Veiga e pela Associação Atlética Acadêmica Camillo Guerreiro, ambos do curso de direito, o protesto visava canalizar a angústia dos jovens com os resultados eleitorais e se transformou em uma passeata que reuniu centenas de pessoas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Contexto e Motivações da Mobilização O ato foi gestado na noite de domingo, 4 de outubro, em resposta ao resultado eleitoral que, na percepção dos estudantes, apresentava o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 47% dos votos válidos e o então presidente Luiz Inácio Lula (agora reeleito) com 45%. Essa disparidade, segundo os organizadores, inspirava grande preocupação, pois viam Flávio Bolsonaro como uma ameaça direta à educação pública. A universitária Valentina Cruz, diretora do Centro Acadêmico de Direito, explicou que a proposta de Bolsonaro de transferir as universidades do Ministério da Educação para o de Ciência e Tecnologia, que possui menos verbas, era um ponto de grande apreensão. Experiências Anteriores e Preocupações com Cortes A reação dos estudantes foi fortemente influenciada pelas experiências recentes nas universidades públicas durante o governo anterior de Jair Bolsonaro. Simão Gabriel Adorno, membro da atlética de direito, lembrou que a UFF esteve entre as primeiras federais a sofrer cortes de verbas, sob a justificativa de promoverem “balbúrdia”, nas palavras do então ministro da Educação, Abraham Weintraub. Tais contingenciamentos, que chegaram a 30% das verbas, impactaram diretamente o funcionamento das instituições e as bolsas de pesquisa, essenciais para estudantes de baixa renda. Além das ameaças à estrutura educacional, os universitários também se opunham à defesa da anistia a envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023, defendida por apoiadores de Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro havia prometido a libertação do pai e sua presença na posse, caso eleito, um cenário que alarmava os estudantes de direito. Ampliação do Protesto e Simbolismo O que começou como uma articulação interna, de alunos e professores, rapidamente se expandiu. João Paulo Armando, outro diretor do centro acadêmico, relatou que o ato, inicialmente pensado para um pequeno grupo, atraiu centenas de participantes em poucas horas. Durante a manifestação, foi exibida a bandeira do “Direito Antifascista”, confeccionada em 2018. Para os estudantes de direito, a postura de Flávio Bolsonaro contra direitos civis, a Constituição Federal e em defesa da ditadura militar era inaceitável, evocando a memória de Fernando Santa Cruz, aluno da instituição e militante político desaparecido em 1974. A convocação, que incluía a imagem do então presidente Lula com jovens, atraiu a adesão de estudantes de outros cursos, consolidando uma mobilização mais ampla.

Sair da versão mobile