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PT está subestimando Flávio Bolsonaro como adversário, diz conselheiro de Lula

O PT pode estar cometendo um erro estratégico ao subestimar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como adversário direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais deste ano. A avaliação é do ex-presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, considerado um dos principais conselheiros do petista e que vê no governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), São Paulo, um candidato que seria mais viável de ser derrotado.

Cunha vê que o próprio partido faz uma leitura errada do cenário eleitoral, que ignora fatos mais relevantes e pode comprometer o planejamento da campanha. Para ele, o peso do sobrenome Bolsonaro já está consolidado junto ao eleitorado, o que limita o impacto de ataques políticos ao longo da campanha.

“A rejeição do Flávio, ou dos Bolsonaro, é uma rejeição já medida, precificada. Sabemos que qualquer coisa que a gente jogar no Flávio não vai pegar, porque a rejeição já está no limite, assim como a do Lula”, disse em entrevista ao Estadão publicada nesta quarta (18).

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João Paulo Cunha considera que o cenário é diferente no caso de Tarcísio, que ainda teria espaço para crescimento de rejeição conforme se torne mais conhecido nacionalmente.

“O Tarcísio é um candidato novo, meio desconhecido no Brasil, um carioca que deu certo em São Paulo, não tem charme, não tem carisma. […] Ter apoio da Faria Lima [coração financeiro do país, em São Paulo] não significa ter apoio do Amazonas, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Ceará, Bahia. O candidato da Faria Lima invariavelmente perde a eleição”, disparou.

A frente ampla formada por Lula das eleições de 2022, no entanto, na visão do político, não foi completamente seguida ao longo do governo e pode pesar na articulação de uma chapa mais forte neste ano. Cunha considera que Lula demorou para manter ou buscar novas alianças, e que esse atraso pode ter impacto no cenário eleitoral.

“Eu acho que nós perdemos um pouco do tempo. Isso que o pessoal da direção do PT e do governo está fazendo agora, ir atrás de MDB, PSD e de todos os partidos de centro, se a gente tivesse começado isso há um ano, um ano e pouco atrás, talvez estivéssemos em uma situação um pouco melhor”, considera.

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João Paulo Cunha acredita que esse olhar para o centro, no entanto, não significa que o PT deixe de ser da esquerda. Para ele, o partido tem “a obrigação quase histórica de continuar sendo de esquerda”, declara.

Na avaliação do ex-deputado, os partidos de centro que hoje integram o governo podem até compor uma chapa nacional, mas a tendência é de fragmentação regional. Isso pode resultar em apoios divididos, o que, apesar de não ser o cenário ideal, ainda seria administrável para o Palácio do Planalto.

João Paulo Cunha também demonstra cautela quanto à capacidade de Lula reduzir sua rejeição até o início da campanha eleitoral, na metade do ano, mesmo com indicadores econômicos positivos. Para ele, a economia não deve ser o principal tema da eleição, que tende a ser marcada por uma disputa acirrada e de baixo nível.

“Vai ser uma campanha dificílima, com muitas mentiras, muita fake news, muita I.A. rodando por aí e que a economia não vai ser o centro do debate”, completou.

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