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Quais são as próximas jogadas de Kassab nas eleições de 2026

Ao invés de um enxadrista, em busca do xeque-mate para derrubar o rei, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, é comparado por especialistas em marketing político e eleitoral a um jogador de cartas, que ostenta a mão cheia para as próximas rodadas das eleições em 2026. A estratégia não é blefar ou bater na mesa, e sim manter os filiados — que incluem governadores de peso — “na manga”, enquanto aguarda as cartas dos demais parceiros de jogo.

Entre as cartadas recentes, Kassab filiou dois governadores ao PSD, sendo um deles o pré-candidato à Presidência da República e chefe do Executivo goiano, Ronaldo Caiado. Assim, o partido passou a ter três nomes considerados como presidenciáveis para as eleições de 2026. Há um ano, o governador paranaense Ratinho Junior era o único cotado ao posto de pré-candidato ao Planalto pela sigla.

Em maio de 2025, Kassab arrematou dois governadores tucanos em uma única jogada e deu início ao plano eleitoral. A pernambucana Raquel Lyra e o pré-candidato gaúcho a presidente Eduardo Leite, deixaram o PSDB para reforçar o time de Kassab.

Apesar do trio de presidenciáveis, o partido descarta a realização de prévias internas para a definição do nome que vai encabeçar a chapa nas eleições de outubro. Kassab aposta na articulação política, por meio de coligações e da troca de apoio por espaços nos governos estaduais e federal, para definir o rumo da sigla, que promete pesar na balança eleitoral deste ano, ora para a direita, ora para a esquerda.

Na avaliação do professor e consultor de marketing político Marcelo Vitorino, o cacique do PSD “não joga para ganhar, mas para não perder” as eleições presidenciais, mantendo o partido no centro do poder. “O que dá para entender nesse movimento do Kassab, para quem vive a política, é que ele está aumentando o seu cacife para sentar na mesa. Ele não está apostando em vencer uma eleição presidencial. Ele está apostando em ter condições de estar junto de quem vencer”, analisa Vitorino.

Para ele, a força do partido está na articulação feita por Kassab — que lidera a sigla política que detém mais governadores e mais prefeituras no país — e não em um nome popular com grande capital político, característica que decidiu as últimas eleições no país, seja na vitória de Jair Bolsonaro (PL) em 2018, seja no retorno de Lula (PT) à Presidência em 2022. “Se você tem três pré-candidatos, isso significa que você não tem nenhum muito forte. Se tivesse um pré-candidato realmente competitivo, você não abriria espaço para mais dois, porque isso gera disputa interna e ruído político”, comenta o consultor.

Kassab não está apostando em vencer uma eleição presidencial, ele está apostando em ter condições de estar junto de quem vencer.

Marcelo Vitorino, professor e consultor de marketing político

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Com plano “a” frustrado, Kassab coloca as fichas no trio de governadores  

O líder do PSD é conhecido pelo fisiologismo e pela capacidade de articular com diferentes atores da política nacional. O partido está à frente de três ministérios no governo Lula e Gilberto Kassab ocupa a chefia da Secretaria de Governo e Relações Institucionais na gestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado do ex-presidente Bolsonaro.

Vitorino explica que a técnica utilizada por Kassab é chamada de “geometria variável”, ou seja, o cacique não coloca todas as fichas na mesma jogada e distribui o seu poder de influência nas diversas rodadas do jogo eleitoral, mantendo as portas abertas e a possibilidade de decidir as eleições. “Se o vento estiver soprando para a esquerda, o PSD será de esquerda. Se estiver soprando para a direita, será de direita. Não é ideologia, é sobrevivência política.

Com Ratinho Junior e Eduardo Leite, na ordem de preferência do cacique, Kassab mantém pré-candidatos com características diferentes para um plano “b”, dependendo da necessidade de aliar o partido a um grupo político de esquerda ou de direita. O governador do Paraná tem perfil político de centro-direita, enquanto Leite é visto como uma figura mais alinhada à centro-esquerda.

“São nomes palatáveis para composições. Eles não são protagonistas naturais de uma polarização nacional. Podem até acabar ficando para a disputa do Senado no momento mais decisivo”, analisa o consultor, que vê Caiado como a terceira opção da sigla.

O plano “a” de Kassab seria a candidatura a presidente de Tarcísio de Freitas, único dos governadores que pode buscar a reeleição estadual. Nessa hipótese, Kassab poderia até disputar o governo de São Paulo para voltar a ocupar um cargo no Executivo. Ele foi prefeito da capital paulista entre 2006 e 2012.

No entanto, o plano foi frustrado pela influência do ex-presidente da República ao lançar o filho Flávio Bolsonaro (PL) como pré-candidato, contando com a lealdade de Tarcísio durante a campanha presidencial no maior colégio eleitoral do país. Além disso, Kassab trava com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, a disputa pela indicação do vice à reeleição ao governo paulista, cargo ocupado hoje por Felício Ramuth (PSD).

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Além de uma candidatura presidencial pura ou coligada com outro partido — o que pode aumentar ainda mais o poder de Kassab — o movimento iniciado em maio do ano passado com a atração de Leite e Raquel Lyra foi reforçado no final de janeiro com a filiação de Caiado. O governador de Rondônia, Marcos Rocha, acompanhou o movimento do goiano, migrando do União Brasil para o PSD.

O partido também conta com o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, eleito em 2022. Nas últimas eleições municipais, o PSD deixou o pleito como o partido com mais prefeituras no Brasil: 885. “O que o Kassab está fazendo é palanque estadual, o que é muito importante para a disputa presidencial. […] Quando você tem governadores, prefeitos, deputados estaduais e federais mobilizados nos estados, isso cria uma base real de apoio”, explica Vitorino.

A jornalista Marcilene Maia, que atua como estrategista política em campanhas eleitorais, lembra que Ratinho Junior, Leite e Caiado são governadores em fim de mandato com alta taxa de aprovação, o que significa capital político para influenciar os votos dos eleitores nos estados, mesmo após a desincompatibilização dos cargos. Segundo a legislação eleitoral, os governadores que vão disputar outros cargos devem deixar a cadeira do Executivo estadual até o dia 4 de abril. 

Além de contar com os líderes do Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás, o PSD disputará a reeleição aos governos de Sergipe e Pernambuco, estratégicos para o plano nacional do partido no Nordeste. “Ele [Kassab] está montando o quebra-cabeça das eleições de 2026, segurando forças em estados que são decisivos para a política nacional, como Minas Gerais, que historicamente decide eleições presidenciais”, diz Maia.

O vice-governador mineiro Mateus Simões deixou o Novo para se filiar ao PSD no ano passado e assume o estado no final de março com a saída do pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo). Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país.

Na avaliação da jornalista Marcilene Maia, enquanto aguarda os movimentos da direita e da esquerda para tomar a decisão sobre o candidato a presidente escolhido pelo PSD, Kassab mantém a “capilaridade política” com a organização dos palanques estaduais. “Esses governadores podem atuar como grandes líderes que somam, ampliam a base eleitoral e fortalecem alianças nos estados. Isso tem peso em uma eleição presidencial”, ressalta.

Mesmo que não consiga “furar” a polarização dos últimos anos e levar a terceira via, enfim, para o segundo turno, Maia afirma que Kassab chegará ao final de outubro com cartas suficientes nas mãos para que o apoio do PSD tenha peso político na definição do próximo presidente do Brasil. “O Kassab pode ser decisivo porque ele terá palanques estruturados nos estados e capacidade de negociação com quem avançar na disputa. A estratégia é não fechar posição antes da hora e chegar ao segundo turno com força política suficiente para ser indispensável.”

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