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Senador irá recorrer de decisão de Gilmar Mendes que blindou empresa da família Toffoli

O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), reagiu à liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que declarou nula a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da Maridt Participações. A CPI quer investigar se o dono do banco Master, Daniel Vorcaro, utilizou a empresa, que tem em seu quadro societário José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro Dias Toffoli, para lavar dinheiro.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (27), Vieira expressou “grande preocupação” com a decisão de Gilmar Mendes e prometeu recorrer “em todas as instâncias possíveis”.

“A quebra de sigilo foi aprovada por unanimidade pela CPI, com fundamentação baseada em elementos que indicam possível vínculo da empresa com os casos Master e Reag, além de notícias consistentes sobre movimentações financeiras suspeitas, inclusive com indícios de lavagem de recursos associados ao Primeiro Comando da Capital”, aponta o senador.

Alessandro Vieira menciona salvo-conduto de André Mendonça a irmãos Toffoli

Mendonça tem decidido no sentido de tornar facultativa a ida de depoentes às CPIsMendonça tem decidido no sentido de tornar facultativa a ida de depoentes às CPIs (Foto: Victor Piemonte/STF)

O relator também menciona a decisão do ministro André Mendonça que desobrigou os irmãos Toffoli de deporem na CPI. O magistrado tem dado decisões nesse sentido, invocando o direito do investigado de não produzir provas contra si mesmo. Alessandro não criticou a decisão, classificando-a como alinhada com a jurisprudência do Supremo.

A Maridt direcionou seu pedido a Gilmar Mendes, sem passar pelo sorteio da relatoria. A tática adotada foi uma petição em um processo arquivado em 2023 e relacionado à CPI da Pandemia. “O tal processo foi desarquivado, a petição foi recebida, e a quebra de sigilo determinada pela CPI foi declarada nula, com posterior novo arquivamento. Trata-se de flagrante absurdo”, opina Vieira.

“Desse emaranhado de decisões judiciais consideradas atípicas e de movimentações financeiras milionárias e suspeitas, impõe-se uma conclusão: este escândalo é grande demais para ser empurrado para debaixo do tapete”, encerra a nota.

A Gazeta do Povo entrou em contato com a Maridt e com a defesa de Vorcaro. O espaço segue aberto para manifestação.

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