Diante de um desconforto ou dor de dente, é cada vez mais comum buscar um diagnóstico rápido no Google ou nas redes sociais antes de agendar uma consulta. Em um cenário de informação instantânea, a saúde bucal tem sido frequentemente comprometida por “soluções caseiras” virais e dicas de influenciadores sem formação clínica adequada.
A automedicação é uma prática difundida entre 90% dos brasileiros, segundo o ICTQ (Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade), abrangendo principalmente analgésicos, antigripais, antidepressivos e relaxantes musculares, muitas vezes sem prescrição médica.
Na odontologia, esse hábito é igualmente prevalente. A dificuldade na venda fracionada de medicamentos no Brasil gera “sobras” nas residências, incentivando o reuso inadequado e acendendo um alerta crucial para a saúde pública.
Essas tentativas de alívio imediato da dor ou desconforto podem gerar problemas ainda mais graves, mascarando infecções com uma falsa sensação de melhora proporcionada por anti-inflamatórios e analgésicos.
Com os sinais de alerta do corpo silenciados, o paciente não procura ajuda profissional, resultando no agravamento da situação clínica e na disseminação da infecção. O que poderia ser resolvido de forma simples, torna-se um caso complexo com diversas complicações para um tratamento futuro.
O Perigo das Redes Sociais
A popularização dos vídeos curtos trouxe, além do entretenimento, “mitos” e “soluções caseiras” para a rotina odontológica que representam um risco significativo à saúde bucal.
A ausência de apuração técnica nos conteúdos dessas plataformas facilita a propagação de informações erradas e práticas nocivas aos dentes e à saúde em geral.
Confiar a saúde bucal a influenciadores sem registro profissional ou conhecimento clínico é um erro que compromete a integridade do sorriso, podendo causar danos que exigirão tratamentos longos para serem revertidos.
Como Buscar Informações Seguras
A internet pode oferecer boas fontes de informação que direcionam o paciente à procura de um especialista. Contudo, a avaliação presencial por um profissional qualificado é absolutamente necessária e quase obrigatória.
Para utilizar a rede a favor da saúde, a recomendação é sempre buscar fontes confiáveis, como os Conselhos Regionais de Odontologia e as sociedades de especialidades.
É fundamental verificar se os profissionais que produzem o conteúdo citam sua formação e baseiam suas informações em evidências científicas. Em caso de dúvida, a melhor opção é sempre consultar um cirurgião-dentista de confiança para verificar a informação.
Juliana Cama Ramacciato é cirurgiã-dentista e presidente da Câmara Técnica de Analgesia Relativa ou Sedação Consciente do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP).
Fonte: https://saude.abril.com.br

