Quatro das principais sociedades de cardiologia do mundo desenvolveram, juntas, uma redefinição histórica sobre o que é infarto, seus tipos e como identificá-lo. Além de mudar a forma de classificar os quadros, a nova diretriz também alerta para a importância e cuidados em relação aos exames de troponina no sangue e reforça a necessidade de considerar as particularidades do coração das mulheres.
Esta é a 5ª Definição Universal de Infarto do Miocárdio, um documento cuja última edição foi lançada em 2018 e que tem na versão deste ano uma das maiores revisões sobre o tema feitas nas últimas décadas. A publicação é assinada pela Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC), o Colégio Americano de Cardiologia (ACC), a Associação Americana do Coração (AHA) e a Federação Mundial do Coração (WHF). O material foi publicado no European Heart Journal na última semana e apresentado domingo, 30, no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia.
Nova Classificação de Infarto
Até agora, os médicos usavam principalmente números para separar os tipos de infarto, classificação importante para pensar os tratamentos adequados. Haviam cinco tipos (1, 2, 3, 4 e 5), com o tipo 4 sendo, ainda, subdividido em 4a, 4b e 4c.
Por essa definição, o tipo 1 seria o mais comum, o infarto espontâneo causado por placas de gordura nas artérias, enquanto o 4a se referia às complicações de uma angioplastia, procedimento usado para desobstruir as veias do coração. O problema é que esse sistema podia ser difícil de entender e nem sempre era usado da mesma maneira na prática.
Por isso, a nova classificação deixa os números de lado e passa a se concentrar em responder “o que causou o infarto?“. A partir dessa pergunta, os quadros passam a ser divididos em três grandes grupos: primário, secundário e relacionado a procedimentos.
Infarto Primário: Problemas na Passagem de Sangue
É o infarto espontâneo, clássico, antes chamado de “tipo 1”. Ele acontece quando há algum problema em uma artéria coronária, os vasos sanguíneos que levam sangue e oxigênio ao coração. Uma das causas mais comuns desse tipo de emergência é a aterosclerose, doença crônica caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura, colesterol, cálcio e outras substâncias nas paredes internas das artérias.
O novo grupo, porém, também inclui infartos causados por outras situações. Entre elas, estão o vasoespasmo, situação em que uma artéria se contrai de repente, reduzindo o fluxo de oxigênio, ou uma dissecção espontânea da artéria coronária, quando ocorre uma espécie de rasgo na parede do vaso. Antes, esses quadros seriam classificados como “tipo 2”.
Infarto Secundário: Coração Precisa de Mais Oxigênio do que Recebe
“Entram nesse grupo infartos que acontecem quando outra condição aguda provoca desequilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio que o coração precisa”, explica Ronnya Roriz, cardiologista do Hospital Brasília, da Rede Américas. Ou seja, como o nome sugere, aqui o infarto — que se caracteriza pela morte de células do coração por interrupção do fluxo de sangue —, acontece de forma secundária a algum problema.
Pode ocorrer, por exemplo, quando a pressão arterial fica muito alta ou muito baixa ou quando o coração passa a bater rápido demais. Nessas situações, o órgão pode precisar de mais oxigênio do que o sangue consegue fornecer.
Infarto Relacionado a Procedimentos
Nessa categoria, estão reunidos os antigos tipos 4 e 5, que subdividiam-se conforme o tipo de operação. Agora, entram nesse grupo todos os infartos relacionados a um procedimento ou cirurgia, desde que tenham acontecido até 30 dias depois de uma intervenção no coração.
São situações relacionadas, por exemplo, à colocação de um stent, um pequeno tubo que ajuda a manter a artéria aberta, ou uma cirurgia de revascularização, que cria um novo caminho para o sangue chegar ao coração.
Atualizações sobre Troponina
Um dos exames mais importantes para saber se uma pessoa teve um infarto é a dosagem da troponina no sangue. Ela é uma proteína presente nas células do coração que participa da contração do músculo cardíaco. Quando essas células são danificadas, como acontece durante um infarto, a troponina é liberada no sangue.
Por isso, o exame que identifica a sua presença na circulação é importante para detectar lesões no coração e ajudar no diagnóstico do infarto. No entanto, o resultado precisa ser interpretado com cuidado. Isso porque uma troponina elevada mostra que houve algum dano às células cardíacas, mas não significa, por si só, que uma pessoa teve um infarto.
Níveis eleva
Fonte: https://saude.abril.com.br









