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Fisiculturismo: Entenda as Causas das Mortes Súbitas em Atletas, Riscos Cardíacos e Anabolizantes

Atleta acumulava seguidores nas redes sociais, onde compartilhava sua rotina de treinos. (Instag...

A morte do fisiculturista Mailson Araújo, de 35 anos, em Alagoinhas (BA), reacendeu o debate sobre os limites físicos e a saúde cardiovascular de atletas de alta performance. Mailson passou mal em sua residência e não resistiu, apesar das tentativas de reanimação. Ativo nas redes sociais, ele compartilhava uma rotina de treinos intensos e alimentação regrada, sem falar sobre uso de anabolizantes, mas divulgava perfis de farmácias e alertava sobre riscos de certas substâncias como a trembolona.

O óbito de Mailson ocorre pouco tempo após outro episódio de repercussão no esporte: o falecimento do atleta e influenciador paulista Gabriel Ganley, de 22 anos. No caso de Ganley, exames necroscópicos apontaram cardiomiopatia hipertrófica como a causa da morte, uma alteração estrutural caracterizada pelo espessamento do músculo cardíaco, comumente associada ao uso de esteroides anabolizantes. Até o momento, o laudo oficial da causa da morte de Mailson não foi divulgado.

Casos como os de Mailson e Ganley chamam a atenção do público para os possíveis riscos associados ao fisiculturismo. Boa parte desses riscos está ligada a condições genéticas pré-existentes, esforço extremo e ao uso de substâncias que visam favorecer a hipertrofia muscular.

O que é o Fisiculturismo?

Ao contrário de modalidades esportivas focadas em desempenho funcional, o fisiculturismo é uma competição essencialmente estética, embora exija a realização de exercícios físicos intensos para a construção de músculos. O objetivo principal é atingir o máximo de desenvolvimento muscular (hipertrofia) com o mínimo possível de gordura corporal e retenção de líquidos, garantindo extrema definição e simetria muscular.

Para alcançar padrões físicos que desafiam a genética humana padrão, a modalidade historicamente desenvolveu uma relação estreita com o uso dos chamados recursos ergogênicos farmacológicos. Embora existam categorias dedicadas ao 'fisiculturismo natural' (onde o uso de substâncias hormonais é proibido), as categorias de elite frequentemente envolvem o uso de esteroides anabolizantes, hormônios tireoidianos, diuréticos e outras substâncias sintéticas para acelerar e maximizar os resultados. Gabriel Ganley, por exemplo, construiu parte de sua fama defendendo a prática natural, mas revelou publicamente mais tarde ter utilizado hormônios para competir em alto nível.

O Impacto dos Anabolizantes no Coração

Os anabolizantes estimulam o crescimento muscular em todo o organismo, e o coração não fica de fora. Estudos já mostraram a existência de receptores de testosterona e similares nas células do coração, que podem ser ativados, levando à hipertrofia do músculo cardíaco. Para quem já carrega alguma mutação genética, como a cardiomiopatia hipertrófica, muitas vezes sem saber, os riscos se multiplicam. Afinal, o coração que já cresce demais recebe um estímulo químico para intensificar esse processo.

Elry Medeiros, cardiologista do Núcleo de Medicina Afetiva (NuMA), explicou que "a pessoa pode desenvolver ainda mais hipertrofia, mais alterações cardíacas e maior risco das mesmas complicações associadas à doença, como arritmias e obstrução da saída de sangue do coração. Ou seja: uma condição potencializa a outra". Para a cardiomiopatia hipertrófica, existe também a influência de outros fatores, como a hipertensão arterial e a acromegalia (crescimento excessivo devido à superprodução do hormônio do crescimento, GH).

Anabolizantes e Pressão Arterial

O uso de hormônios como a testosterona e seus derivados também pode aumentar a pressão arterial. O uso de anabolizantes causa retenção de líquido e uma ativação do sistema simpático da adrenalina, o que faz com que o indivíduo desenvolva pressão arterial alta, inclusive com níveis bastante alterados.

Fonte: https://saude.abril.com.br

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