Pai e filho são suspeitos de matar jovem acreditando que ele era ‘canaimé’
Erinel Clementino, de 63 anos, e o filho dele, Francinildo Clementino, de 25, confessaram na delegacia que mataram José da Silva Santana, de 25, porque acreditavam que ele era o “canaimé”, uma figura maligna na crença indígena. Os dois estão presos e foram autuados por homicídio triplamente qualificado. A audiência de custódia está prevista para esta quinta-feira (5), em Roraima.
O crime ocorreu na comunidade indígena Caracanã, em Uiramutã, ao Norte do estado. Depois de presos, pai e filho foram levados para a delegacia de Pacaraima, onde o caso foi registrado.
José foi assassinado com requintes de crueldade: foi atingido por um tiro na cabeça, golpeado com uma foice e uma faca. Depois, o corpo foi incendiado. Ele também foi decapitado. Parte do crime foi registrado em vídeo.
Após a confissão dos suspeitos, o delegado do caso, Arthur França, autuou os dos dois por homicídio qualificado por motivo fútil, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Além disso, também respondem pelos crimes de destruição e ocultação de cadáver e posse irregular de arma de fogo de uso permitido.
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Entenda: na crença indígena, o canaimé é visto como um ser do mau, uma figura associada a poderes sobrenaturais e à prática de feitiços, rezas e venenos que pode causar sofrimento ou morte. Segundo a crença, ele pode ficar invisível ou se transformar em animais para perseguir e atacar pessoas, geralmente à noite. Além disso, quando mata alguém, o canaimé rasga e enfia folhas dentro do corpo da vítima.
A Polícia Militar apreendeu uma espingarda e uma foice na casa dos suspeitos, e uma faca no local do crime. Além disso, os suspeitos atearam fogo no corpo da vítima.
Depoimentos
Em depoimento à Polícia Civil, Francinildo afirmou que atirou contra a vítima com uma espingarda calibre .28, que pertencia ao pai. Ele disse que a vítima corria no momento do disparo e foi atingida na região da nuca e da cabeça.
O pai confirmou que o filho fez o disparo. Ele afirmou que, depois que a vítima caiu, usou uma foice para dar dois golpes no pescoço e cerca de três no abdômen. Segundo a versão apresentada por ele, o jovem já estava morto quando recebeu os golpes.
Ainda em depoimento, Erinel disse que a ordem para atear fogo no corpo partiu de um segurança da comunidade, identificado por ele como “Osmar”. O suspeito relacionou a decisão a uma suposta “puçanga”, que seria amuleto enfeitiçado que pertencia à vítima.
A Polícia Civil segue em investigação para identificar se outras pessoas participaram do crime.
O assassinato
A PM foi até a comunidade após receber denúncia do assassinato. No local, agentes foram guiados por moradores até o corpo da vítima. Após confirmar a morte, a equipe isolou a área e iniciou buscas para localizar os suspeitos.
Conforme o depoimento dos suspeitos, a dupla levava a vítima da comunidade Flexal quando ela tentou fugir, e eles o mataram.
De acordo com a PM, a versão apresentada pelos suspeitos foi reforçada por vídeos gravados por eles mesmos. As imagens foram compartilhadas em grupos de WhatsApp. Em um dos vídeos, José aparece confirmando ser o canaimé e diz ter a “capacidade de se transformar em animais.”
A Polícia Civil de Pacaraima foi comunicada sobre o caso por volta das 20h de terça. A perícia criminal e o Instituto Médico Legal (IML) foram acionados e chegaram à comunidade por volta das 14h55 desta quarta-feira (4). O caso foi registrado como homicídio qualificado por motivo fútil.
Armas apreendidas pela Polícia Militar
Arquivo pessoal
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Fonte: G1

