A tradição da Semana Santa impulsiona muitos a substituírem a carne vermelha por peixes e pescados, gerando um aumento significativo na demanda. Contudo, a pressa e a falta de informação podem levar a erros perigosos, comprometendo a saúde familiar. Este guia, com base em orientações de especialistas, oferece dicas essenciais para escolher, preparar e conservar esses alimentos de forma segura, prevenindo desde a aquisição de produtos de má procedência até a contaminação durante o manuseio.
Benefícios Nutricionais dos Peixes
Embora o consumo de peixe seja intensificado na Semana Santa, seus atributos nutricionais justificam sua inclusão regular na dieta. O nutricionista Ícaro Cazumbá, conselheiro do Conselho Federal de Nutrição (CFN), ressalta que os peixes são fontes de proteínas de alto valor biológico, ou seja, contêm todos os aminoácidos essenciais que o corpo humano não produz, fundamentais para a formação de proteínas, músculos e hormônios.
Adicionalmente, os peixes são ricos em vitaminas e minerais vitais, como vitamina B12, vitamina D, fósforo, selênio, iodo, potássio e magnésio. Eles também são importantes fornecedores de ácidos graxos ômega-3, uma gordura benéfica que contribui para a redução do colesterol LDL, conhecido como 'colesterol ruim'.
Este conjunto de nutrientes oferece impactos positivos na saúde do sistema nervoso, óssea, imunidade, função muscular e cardiovascular. Há evidências consistentes que associam o consumo regular de peixe à diminuição do risco de doenças cardiovasculares, especialmente quando substitui fontes de proteína com maior teor de gordura saturada.
Bacalhau, tilápia e salmão são opções populares neste período. A nutricionista Tarcila Campos, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, explica que, embora todos sejam nutritivos, o teor de ômega-3 varia: o bacalhau possui uma quantidade modesta, e a tilápia ainda menos, em comparação com peixes como sardinha e salmão.
Erros Comuns na Compra e Preparo de Peixes
Mesmo com seus múltiplos benefícios, a segurança do pescado pode ser comprometida por práticas inadequadas. A atenção à higiene e à conservação adequada é crucial desde o momento da compra até o preparo final.
Contaminação Cruzada
Um dos maiores riscos na cozinha é a contaminação cruzada, onde microrganismos de alimentos crus, como o peixe, são transferidos para outros alimentos, utensílios ou superfícies. Isso pode ocorrer ao utilizar a mesma tábua ou faca para cortar peixe cru e, posteriormente, vegetais que serão consumidos in natura, sem a higienização adequada entre os usos.
O Perigo de Lavar o Peixe Cru
Lavar o peixe cru antes do preparo é uma prática comum, mas ineficaz para eliminar microrganismos e, inclusive, pode dispersá-los pela pia e cozinha através de respingos. A lavagem não contribui para a segurança alimentar e deve ser evitada.
A forma mais eficiente de eliminar germes e vírus é através da cocção, ou seja, cozinhar o peixe a uma temperatura suficiente. Adicionalmente, é fundamental manter uma higiene rigorosa das mãos, utensílios e superfícies que entram em contato com o alimento.
Armazenamento Inadequado
A conservação correta é vital para a segurança do peixe. O peixe fresco deve ser mantido entre 0 °C e 4 °C e consumido em até 24 horas. Para o peixe congelado, a temperatura ideal é de -18 °C ou menos. O descongelamento deve ser realizado sob refrigeração, nunca em temperatura ambiente, para prevenir a proliferação de microrganismos nocivos. Uma vez descongelado, o alimento não deve ser recongelado.
Fonte: https://saude.abril.com.br

