Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) identificaram a presença da bactéria Acinetobacter baumannii em amostras de água de quatro pontos da cidade de Porto Alegre. Este patógeno, conhecido por sua multirresistência, é o mesmo tipo envolvido em um surto que resultou no fechamento de uma UTI neonatal na capital gaúcha em abril. Uma das amostras isoladas mostrou-se imune a todos os antimicrobianos testados, e o projeto ClimaRes WaSH da UFRGS continua investigando sua resistência e a possível conexão com o surto hospitalar.
O que é Acinetobacter baumannii?
A Acinetobacter baumannii é uma bactéria amplamente presente no ambiente, encontrada na água e em vegetais em decomposição, conforme explica o infectologista Renato Grinbaum, conselheiro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). O contato com este microrganismo é comum e geralmente inofensivo para indivíduos saudáveis, cujo organismo consegue combatê-lo eficazmente.
Contudo, a bactéria representa uma das principais causas de infecções hospitalares, especialmente em UTIs, onde pacientes com imunidade comprometida, utilizando respiradores e cateteres, tornam-se vulneráveis. Nessas condições, a A. baumannii pode provocar quadros graves como pneumonia, infecções sanguíneas e urinárias. Sua capacidade de desenvolver resistência a múltiplos antibióticos a classifica como uma 'superbactéria', integrando o grupo das enterobactérias resistentes a carbapenêmicos (CRE). Apesar de sua presença ambiental não significar perigo generalizado, sua circulação em ambientes hospitalares, atingindo pacientes frágeis, eleva significativamente os riscos.
Ameaça Hospitalar
No ambiente hospitalar, a Acinetobacter baumannii é um patógeno temido, devido à sua facilidade em colonizar equipamentos como traqueostomias e ventiladores mecânicos. Isso a associa frequentemente a pneumonias graves em pacientes intubados, infecções de feridas cirúrgicas ou traumáticas e abscessos em pulmão, pele e tecidos moles. A Organização Mundial da Saúde (OMS) a classifica como uma ameaça prioritária à saúde pública. Mundialmente, ela é responsável por cerca de 80% das infecções hospitalares do gênero Acinetobacter, com uma taxa de letalidade que pode alcançar 70% dos casos. Detectada no Brasil desde os anos 1990, a bactéria persiste nos hospitais, sem recursos disponíveis para sua erradicação, configurando um problema sério.
Modos de Transmissão
A transmissão ocorre comumente pela pele de profissionais de saúde, aumentando a contaminação de pacientes e equipamentos médicos. Outras rotas incluem o contato com superfícies contaminadas, equipamentos mal higienizados e o contato direto 'mão-a-mão'. Sua adaptabilidade ao ambiente hospitalar, resistência a desinfetantes e longa sobrevivência em superfícies dificultam seu controle.
Sinais e Sintomas
As infecções causadas pela Acinetobacter baumannii podem manifestar-se no sangue, trato urinário, pulmões (pneumonia) ou feridas. É importante notar que, em alguns casos, indivíduos podem ser portadores da bactéria (colonização) sem desenvolver sintomas da infecção.
Prevenção
A prevenção da disseminação da Acinetobacter baumannii exige uma cadeia de cuidados rigorosa, sendo a lavagem das mãos a medida principal e mais eficaz.
Fonte: https://saude.abril.com.br

