Mulheres com endometriose enfrentam, em média, 3,8 anos para receber um diagnóstico, convivendo com dor, inchaço e sangramento intenso sem tratamento. Este dado alarmante foi revelado por uma pesquisa da Ipsos, encomendada pela Bayer, e divulgado no Dia Internacional da Luta contra a Endometriose.
O levantamento ouviu 800 brasileiras de 18 a 60 anos, mostrando que 10% têm diagnóstico confirmado e 13% suspeitam da doença. Os sintomas mais relatados incluem cólicas menstruais e inchaço abdominal (52%), sangramento intenso (44%) e dor na relação sexual (42%). Apesar de afetar até 15% da população feminina, a endometriose é desconhecida por quatro a cada dez mulheres no Brasil.
Dor e Subestimação: O Desafio Cultural no Diagnóstico
O subdiagnóstico da endometriose é amplamente explicado pela falta de escuta às pacientes, um "gargalo cultural", conforme Graciela Morgado, ginecologista da Unifesp. Historicamente, cólicas intensas e fluxo menstrual abundante foram normalizados como parte do "ser mulher".
Muitas pacientes crescem ouvindo de familiares, amigas e até profissionais de saúde que a dor é normal ou que melhorará com a gravidez, adiando a busca por ajuda. A pesquisa revela que 77% das mulheres diagnosticadas tiveram suas queixas desconsideradas, principalmente por familiares (41%) e médicos (32%).
Quase metade (46%) das mulheres foi informada de que o problema era estresse ou cansaço, sendo taxadas de "dramáticas" e "exageradas" (45%). A validação da experiência da paciente, aliada à educação em saúde e formação médica continuada, é crucial para romper esse ciclo.
A Complexidade Técnica da Identificação
A capacitação médica para identificar os sinais da doença é fundamental para agilizar o diagnóstico. A detecção das lesões frequentemente demanda um olhar especializado.
Embora exames de imagem como ultrassonografia transvaginal e ressonância magnética da pelve, quando bem realizados, possam identificar a maioria das lesões, algumas localizações, como focos superficiais no peritônio, podem escapar até mesmo dos métodos mais sensíveis.
Guia de Especialista: Sintomas e Diagnóstico da Endometriose
Quais são os principais sintomas da endometriose?
A endometriose manifesta-se de forma heterogênea, contribuindo para o subdiagnóstico. O sintoma mais clássico é a dismenorreia, ou cólica menstrual de intensidade debilitante, que impede atividades cotidianas e não responde a analgésicos comuns, servindo como um alerta significativo.
Outros sintomas frequentes incluem dor durante a relação sexual (dispareunia), alterações intestinais cíclicas (diarreia, constipação, dor ao evacuar), sintomas urinários, inchaço abdominal persistente (conhecido como "endo belly") e fluxo menstrual intenso ou prolongado. Fadiga crônica e dificuldade para engravidar também são manifestações. A ciclicidade dos sintomas, que se intensificam no período menstrual, é um ponto-chave para a investigação.
Como é feito o diagnóstico?
O processo diagnóstico começa com uma anamnese detalhada, que mapeia sintomas, ciclo menstrual e o impacto na qualidade de vida da paciente, seguida de um exame físico minucioso.
Em seguida, são utilizados exames de imagem como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética da pelve, que requerem profissionais com treinamento específico para um mapeamento preciso da doença. Não desistir da investigação e buscar múltiplas opiniões médicas, preferencialmente de ginecologistas especializados, é crucial, visto que muitas mulheres consultam diversas especialidades antes do diagnóstico.
Fonte: https://saude.abril.com.br









