• Análise: Freio em delação eleva pressão em Vorcaro

      A decisão da PF (Polícia Federal) de rejeitar a proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master, elevou consideravelmente a pressão sobre ele nas negociações em andamento. A avaliação é da analista de Política da CNN Isabel Mega ao Live CNN.

      Com a rejeição, as tratativas seguem agora no âmbito da PGR (Procuradoria-Geral da República), mas o cenário se tornou significativamente mais adverso para Vorcaro.

      Segundo a analista, a rejeição da PF deixa claro que Vorcaro não entregou o que seria necessário para justificar a conclusão de um acordo de colaboração premiada. “Há muita pressão porque, na prática, ele não entregou aquilo que poderia justificar o andamento para a conclusão de um acordo de colaboração premiada”, afirmou Isabel Mega.

      Por que a pressão aumenta?

      Daniel Vorcaro busca, por meio do acordo, obter benefícios que reduzam ao máximo um eventual tempo de prisão. No entanto, para alcançar esse objetivo, ele precisaria fornecer informações que fossem além do que as investigações já apuraram de forma independente.

      “Ele só vai conseguir isso se ele realmente entregar algo que possa ir além das investigações”, explicou Isabel Mega, acrescentando que esse é o funcionamento básico de um acordo de colaboração premiada.

      A analista ressaltou ainda que a rejeição pela PF não deve ser interpretada como definitiva. Especialistas consultados por Mega indicam que esse tipo de vai e vem nas negociações não é incomum.

      Contudo, a recusa da PF envia um sinal negativo à PGR, sinalizando que Vorcaro não colaborou satisfatoriamente naquela instância. “Há um reflexo de que sim, há um sinal negativo, isso acende um alerta para a PGR“, disse a analista.

      Paralelo com o caso Palocci

      Isabel Mega traçou um paralelo entre o caso Vorcaro e o processo envolvendo Antônio Palocci, citado como exemplo de situação semelhante. No caso do ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil, o movimento foi inverso: foi a PGR que inicialmente não quis avançar com a colaboração premiada, enquanto a PF sinalizava positivamente.

      “Também houve muito barulho, muita reviravolta em relação a isso”, recordou a analista, destacando que a rejeição de um órgão não significa necessariamente a rejeição do outro. Ela ponderou, porém, que a colaboração de Palocci acabou se tornando menos significativa ao longo do tempo.

      De acordo com Isabel Mega, o ambiente em Brasília reflete a percepção de que Vorcaro não está disposto a entregar as informações mais valiosas de seu entorno político. A analista apontou ainda que há um jogo de forças no STF (Supremo Tribunal Federal) em torno da colaboração premiada: enquanto alguns ministros atuam para que a Corte não seja alvo das investigações, outros trabalham para que haja algum tipo de implicação.

      “Isso também faz parte desse ambiente muito de bastidor por trás desse revés em relação à colaboração premiada dele”, concluiu Isabel Mega.

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