O autor russo Andrey Zvyagintsev não fazia um filme há quase uma década — seus dois últimos foram os politicamente carregados indicados ao Oscar Leviatã e Loveless, que levaram, respectivamente, o prêmio de melhor roteiro e o Prêmio do Júri em Cannes. As expectativas eram, portanto, altas para seu primeiro projeto desde a devastadora invasão russa da Ucrânia. E o filme supera essas expectativas: um relato rigoroso, minuciosamente observado e ricamente detalhado, ambientado em 2022, sobre Gleb (Dmitriy Mazurov), um CEO provinciano bem-relacionado que se vê sitiado em todas as frentes. Sua bela esposa, Galina (Iris Lebedeva), parece estar tendo um caso. No trabalho, ele é forçado a elaborar uma lista dos funcionários mais facilmente dispensáveis, que serão convocados para o exército. Enquanto arquiteta um esquema desprezível que o beneficia e explora os mais vulneráveis de sua comunidade, ainda encontra tempo para mandar seguir a esposa. Então, por volta da metade do filme, uma explosão repentina de violência revela as verdadeiras cores de Gleb de maneira extraordinária.









