O Brasil tem se destacado no cenário do comércio internacional, mesmo diante de um ambiente externo marcado por incertezas e tensões geopolíticas. É o que avalia Laudemir Muller, presidente da Apex Brasil, em entrevista ao CNN Money, na qual abordou os avanços nas relações comerciais do país com a China e o potencial do acordo entre o Mercosul e a União Europeia.
Segundo Muller, o mundo passou a enxergar o Brasil de forma diferente. “O Brasil está se sobressaindo. Num cenário externo complexo para o mercado internacional, o Brasil está batendo o recorde de exportação”, afirmou.
Para ele, o país se apresenta como estável, com qualidade e quantidade na pauta exportadora, além de registrar crescimento interno de renda, geração de emprego e consumo elevado.
Participação recorde na feira de alimentos da China
A Apex Brasil participou da Cial, considerada a maior feira de alimentos da China, realizada em Xangai. A delegação brasileira foi recorde: enquanto no ano anterior o país contava com cerca de 50 empresas representadas, nesta edição foram 82, incluindo cooperativas e produtores da agricultura familiar. Somente nessa feira, empresas brasileiras fecharam negócios que somaram mais de US$ 2 bilhões.
Muller destacou que a China enxerga o Brasil como um parceiro estratégico, valorizando o relacionamento bilateral e a capacidade brasileira de fornecer alimentos com qualidade e escala.
No setor de carne bovina, por exemplo, ele apontou um desequilíbrio favorável ao Brasil: enquanto a China consome 11 milhões de toneladas e produz apenas 8 milhões, o Brasil produz entre 10 e 11 milhões e consome cerca de 7 milhões.
“Quem está melhor estruturado é o Brasil”, disse. Além disso, enquanto os rebanhos dos Estados Unidos e da Europa estão em queda, o Brasil é o único país que mantém e amplia seus plantéis de pecuária.
Outro ponto de destaque na entrevista foi o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, atualmente em fase de implementação. A Apex Brasil estima que o acordo pode ampliar as exportações brasileiras para o bloco europeu em US$ 1 bilhão.
Para Muller, o avanço do acordo se deve tanto ao esforço diplomático quanto ao novo olhar da Europa sobre a necessidade de parceiros comerciais estáveis no longo prazo. “A Europa começou a olhar: eu preciso ter parceiros estáveis. Quem são os meus parceiros estáveis no longo prazo? O Mercosul é um parceiro estável”, declarou.
Muller também mencionou que empresas chinesas prometeram investir R$ 28 bilhões no Brasil, reforçando o interesse internacional no país. Para ele, a imagem do Brasil no exterior está associada à sustentabilidade, ao modelo de produção e à estabilidade, fatores que se tornaram ativos cada vez mais valorizados no atual contexto geopolítico global.
“O Brasil se mostra aquilo que talvez há muitos anos atrás pudesse ser algo não tão percebido: um país que faz acordo, um país que se abre, um país que reduz tarifa, um país que se mostra estável”, concluiu.









