• Doença Falciforme: Sintomas Abrangentes, Diagnóstico Precoce e Desafios no Tratamento

      A doença falciforme, uma condição genética e hereditária que afeta até 100 mil brasileiros, é muito mais complexa do que apenas uma anemia. Conforme explica a hematologista Marimília Pita, 'Todo doente falciforme é anêmico. A doença falciforme é uma doença sistêmica que afeta todos os órgãos. Ela é genética, hereditária e passada de pais para filhos'. Em 19 de junho, celebra-se o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme, data estabelecida pela ONU para aumentar a visibilidade e melhorar o acesso ao diagnóstico e tratamento.

      Impacto da Alteração das Hemácias

      O primeiro sintoma frequentemente diagnosticado é a anemia, resultante de uma alteração nas hemácias (glóbulos vermelhos), responsáveis pelo transporte de oxigênio. Nessas pessoas, a hemácia perde seu formato natural de grão de feijão, assumindo uma aparência alongada, semelhante a uma foice – daí o nome 'falciforme'.

      Essa forma peculiar torna a célula rígida e de vida útil reduzida, quebrando-se em apenas 20 a 80 dias, ao invés dos 120 dias normais. Essa fragilidade causa anemia constante. A rigidez da hemácia falciforme também provoca obstrução dos vasos sanguíneos, impedindo o fluxo de oxigênio para os tecidos.

      Ao longo da vida, a deficiência de oxigênio nos tecidos resulta em 'microinfartos' que podem afetar diversos órgãos, como coração e olhos. Como ressalta a Dra. Pita, 'Aquela área fica sem sangue, ela não respira, fica infartada, e a função do órgão vai diminuindo. Isso significa que, à medida que o paciente vai crescendo, ele se torna um indivíduo cardiopata, pneumopata, nefropata e, assim, sucessivamente'.

      Diagnóstico e Abordagens Terapêuticas

      O diagnóstico da doença falciforme pode ser realizado precocemente através do Teste do Pezinho, um exame obrigatório e gratuito para recém-nascidos, que inclui uma pesquisa de hemoglobina para detectá-la há 25 anos.

      Esse diagnóstico na maternidade é crucial para uma evolução mais tranquila do paciente, principalmente na prevenção de infecções, uma das principais causas de mortalidade antes dos 7 anos de idade.

      Embora a doença não tenha cura na maioria dos casos, seus sintomas podem ser atenuados com tratamento médico contínuo. Em situações específicas, o transplante de medula pode oferecer uma cura, desde que o paciente seja elegível e encontre um doador compatível.

      Manejo da Dor Intensa e Desafios

      As crises de dor intensa são outro sintoma marcante da doença falciforme, causadas pela obstrução de pequenos vasos sanguíneos pelos glóbulos vermelhos em forma de foice. A dor é comum nos ossos e articulações, mas pode se manifestar em qualquer parte do corpo, incluindo inchaço e vermelhidão nas mãos e pés de crianças pequenas.

      A intensidade da dor frequentemente exige internação em UTIs para administração de analgésicos potentes, como morfina. Contudo, a Dra. Pita lamenta a falta de preparo de profissionais de saúde no Brasil para lidar com quadros de dor aguda em pacientes falciformes, evidenciando uma disparidade significativa no tratamento da dor em comparação com outros países.

      Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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