Professor vê padrão em política internacional de Trump: “Máxima pressão”

    Donald Trump voltou atrás no plano de adotar uma taxa de 20% para os navios que atravessarem o Estreito de Ormuz. A decisão gerou questionamentos sobre a real estratégia por trás do anúncio e do recuo ocorrido no dia seguinte.

    O professor da Escola de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Daniel Rio Tinto, afirmou, em entrevista ao CNN 360º desta terça-feira (14), que, apesar de ser difícil interpretar as ações do presidente norte-americano, é possível identificar um padrão na forma como Trump conduz a política internacional.

    O professor definiu esse padrão como uma “máxima pressão”: “O Trump parece exercer sempre essa ideia de que colocar pressão nas suas contrapartes, sejam aliados ou inimigos, é uma forma eficaz de conseguir o que ele quer ou encaminhar as coisas como ele quer”, afirmou.

    Rio Tinto explicou que essa lógica consiste em promover ideias “que sejam mais consequentes, que mudem mais o status quo, que causem mais disrupção”. O objetivo dessa lógica, na avaliação do professor, seria forçar o outro lado a sentar à mesa de negociação em condições favoráveis.

    “Existe sempre a possibilidade de a gente [Estados Unidos] fazer algo que cause mais confusão, mais consequências negativas para você do que se você sentar comigo [Trump]”, resumiu o professor.

    O papel do blefe

    Questionado sobre o impacto dessa estratégia sobre o Irã, Rio Tinto ressaltou que o uso do blefe é uma prática recorrente na diplomacia internacional, não exclusiva de Trump ou dos iranianos.

    “Todos os estados e todos os atores na política internacional praticam esse tipo de processo na negociação”, destacou.

    O professor avaliou que o cenário no Oriente Médio, desde o início do conflito entre EUA e Irã, se caracteriza por um equilíbrio tênue e precário.

    “É um equilíbrio em que qualquer coisa que não sai do jeito que um dos dois lados quer leva os lados a quererem revisar os acordos”, afirmou.

    O professor ponderou que essas mudanças de comportamento podem ter consequências tanto positivas quanto negativas. Por um lado, um recuo pode evitar uma escalada destrutiva; por outro, pode representar uma ruptura com acordos já firmados.

    Em sua avaliação, o processo atual é uma negociação delicada, na qual tanto a força militar quanto as ameaças de sanções e bloqueios são utilizadas para favorecer as preferências de cada lado na mesa.

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