Gracie Abrams acaba de passar pela segurança do aeroporto quando entra na nossa chamada no Zoom. A cantora está a caminho de Nova York para o casamento de uma amiga (talvez você tenha lido sobre isso nas notícias), onde usará o mesmo vestido vermelho de paetês da Chanel, criado por Matthieu Blazy, que vestiu em seu ensaio de capa para a Vogue americana. Se você é do tipo que acredita que celebridades gostam de deixar mensagens subliminares para os fãs por meio de seus looks, esse talvez tenha sido um sinal. Hoje, Abrams é oficialmente a nova representante da beleza Chanel.
“Minha avó tinha um frasco do N°5 na pia do banheiro”, conta, ao lembrar de seu primeiro contato com a maison francesa. “A primeira coisa que eu fazia quando ia à casa dela era sentar diante da penteadeira e fingir que era ela. Lembro de pensar que um perfume Chanel representava o auge da feminilidade.”
Se usar Chanel N°5 simbolizava esse ideal de feminilidade, o que significa ser o rosto de uma nova fragrância — Coco Mademoiselle Crush Absolu, um perfume com notas ambaradas, cítricas e florais? “Confiança”, responde. “Uma fragrância pode mudar completamente a forma como você se comporta em questão de segundos.”
O perfumista Olivier Polge descreve o processo de criação da fragrância como algo que começa com “uma página em branco” e termina em uma composição sensual e acolhedora. A fórmula combina notas de baunilha e âmbar com o frescor vibrante da toranja e da lichia. O perfume é a mais nova adição à rotina de beleza de Abrams, que ela descreve como prática e descomplicada. “Eu penteio as sobrancelhas para cima, passo blush, borrifo o perfume e saio de casa”, diz. Já sua característica mais marcante é o cabelo, que parece ficar cada vez mais curto. “Não sou muito paciente com o crescimento. Se a nuca percebe por um segundo que existe cabelo ali, eu já penso: ‘corta’.” Ela acrescenta que, sempre que Matthieu Blazy a vê com um corte novo e ainda mais curto, “ele adora”.
Nesta temporada, Abrams também está abraçando a ideia de se manter aberta ao novo — tanto com seu próximo álbum, Daughter from Hell, quanto com outros projetos criativos em andamento. Isso vale tanto para pequenas descobertas, como sua recente paixão por desenhos em pastel. “Tenho feito pequenos retratos dos meus amigos quando estamos juntos”, conta. “É algo rápido, meio bobo, mas também muito terapêutico e tranquilo. Gosto justamente porque não precisa ter um grande significado.” E vale também para desafios maiores, como seu primeiro papel como atriz, no drama de época da A24 Please, dirigido por Halina Reijn.
“Estou tentando permanecer aberta, seja qual for a forma ou a sensação dessa experiência”, diz. “Sem atrapalhar a mim mesma ou deixar que o medo determine o quanto estou disposta a me abrir. Tenho muita curiosidade para descobrir como tudo isso vai acontecer. É estranho falar sobre isso antes mesmo de começarmos as filmagens.”
Há ainda sua paixão mais recente: dançar. Quando pergunto se ela está fazendo aulas, ela faz questão de esclarecer que não é disso que está falando. “Não, estou falando de ir para a balada mesmo! Nos últimos seis meses, sair para dançar se tornou uma parte muito importante da minha vida. Tem sido uma válvula de escape incrível e, sinceramente, acho que muito desse entusiasmo nasceu por causa desta campanha. Sou infinitamente grata também por esse lado da experiência.” É tudo o que ela pode revelar, por enquanto, sobre o filme da campanha, que será lançado no fim desta estação nos Estados Unidos.
No fim das contas, a cantora de 26 anos diz que todas essas experiências têm lhe ensinado a viver o presente. “Quero estar exatamente onde meus pés estão, sem me agarrar demais a nada”, afirma. “É inacreditável para mim poder fazer o que faço; sei o quanto sou privilegiada. Agora, é hora de estar verdadeiramente presente para tudo isso.”









