• 6 lugares não óbvios na ilha


      Quando falamos em Mykonos, já vem na cabeça a imagem pronta: espuma de champanhe em pleno meio-dia, DJ sets em Psarou, a fila de barcos ancorados como se fossem carros num engarrafamento de luxo. Essa Mykonos existe, é real e continua magnética. Mas essa é também a menor parte de uma ilha que, para quem sabe circular por ela com mais curiosidade e menos pressa, guarda um repertório bem mais interessante do que o algoritmo do Instagram deixa transparecer.

      A seguir, reuni seis lugares não-óbvios em Mykonos — para quem já esgotou os beach clubs Scorpios, Principote, Spilia e Alemagou, já jantou em Noemia, Zuka, Interni e Sapho, e quer ir além da badalação. São endereços que exigem carro, guia local ou a disposição de sair do eixo Chora–Psarou–Paradise.

      Rinia — Foto: Getty Images
      Rinia — Foto: Getty Images

      A poucos minutos de barco de Delos fica Rinia, sem infraestrutura, sem beach club, sem absolutamente nada além de água transparente e silêncio. É o tipo de lugar que só se alcança de catamarã, lanchas ou veleiros em passeios organizados ou privados — e é exatamente essa fricção que a mantém intacta. Quem organiza o passeio direito combina Delos pela manhã, quando os grupos de cruzeiro ainda não desembarcaram, e Rinia à tarde, para o mergulho nas águas cristalinas e o almoço a bordo. É o tipo de experiência que só se fala baixinho entre quem já foi.

      Nathalia Dias Gomes durante passagem por Mykonos — Foto: Acervo Pessoal
      Nathalia Dias Gomes durante passagem por Mykonos — Foto: Acervo Pessoal

      Ano Mera e Mosteiro de Panagia Tourliani

      Mosteiro de Panagia Tourliani — Foto: Getty Images
      Mosteiro de Panagia Tourliani — Foto: Getty Images

      Único povoado do interior da ilha, Ano Mera segue no seu próprio ritmo: praça pequena, taverna de família, e o Mosteiro de Panagia Tourliani, do século XVI, com um interior de talha dourada que contrasta com a simplicidade branca do lado de fora. A recomendação de quem conhece é chegar cedo ou visitar fora da alta temporada.

      Vioma Organic Farm — Foto: Divulgação
      Vioma Organic Farm — Foto: Divulgação

      Também fica em Ano Mera, longe de qualquer coisa que lembre balada. As degustações dos vinhos orgânicos acontecem entre parreirais e hortas, acompanhadas de produtos locais, como queijos e azeites, e a paisagem — colinas secas, pedra à vista, vento constante — é a Mykonos que existia antes do turismo descobrir a ilha. Além disso, também é possível fazer passeios de bicicleta por rotas menos conhecidas da ilha, proporcionando uma experiência super diferente. Vale reservar com antecedência; o charme do lugar é justamente não receber multidões de turistas.

      Fokos — Foto: Getty Images
      Fokos — Foto: Getty Images

      No extremo norte da ilha, sem estrada pavimentada até o fim e sem sinal de espreguiçadeira, ficam Fokos e, a 900 metros adiante, a pequena e deserta Mersini. Não há música nem ninguém tentando vender nada. Existe uma taverna simples em Fokos que serve peixe do dia e pouco mais, e é o suficiente. Chegar exige carro alugado e um pouco de paciência com a estrada de terra, mas é precisamente esse obstáculo que separa quem busca cenário de quem busca sossego.

      Rarity Gallery — Foto: Instagram
      Rarity Gallery — Foto: Instagram

      Num casarão mykoniano histórico do início do século XX, bem no coração de Chora, a Rarity Gallery expõe, desde 1995, um acervo de arte contemporânea internacional dividido em salas temáticas, de Peter Halley a Julian Opie. É gratuita, raramente lotada, e funciona como um respiro entre uma vitrine de grife e outra. Poucos visitantes associam Mykonos a uma cena de arte séria, o que torna a descoberta ainda mais gostosa.

      Trilha até o Farol de Armenistis

      Farol de Armenistis — Foto: Getty Images
      Farol de Armenistis — Foto: Getty Images

      De Chora até o Farol de Armenistis são cerca de cerca de 8 quilômetros por estradas tranquilas, sempre acompanhadas por vistas do Egeu em todas as tonalidades de azul que a palavra “azul” jamais dará conta de descrever. É um convite a lembrar que Mykonos também pode ser caminhada, e não apenas atravessada de carro entre um beach club e outro.

      Nathalia Dias Gomes em Mykonos — Foto: Acervo Pessoal
      Nathalia Dias Gomes em Mykonos — Foto: Acervo Pessoal

      Mykonos não obriga a escolher entre essas duas versões de si mesma; só espera que alguém se interesse pela segunda. A ilha das festas continua lá, disponível para quem quiser exatamente do jeito que sempre foi. Mas a ilha das mais de quatrocentas capelinhas escondidas em quintais e penhascos, dos pelicanos que atravessam o porto como se fossem donos dele, das vinhas orgânicas e das praias sem placa e sem fila — essa é a que fica. E, convenhamos, também é a mais elegante das duas.

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