Charles Spencer, irmão da princesa Diana, trouxe à tona uma lembrança delicada dos dias que sucederam a morte da irmã, em 1997. Em seu novo livro de memórias, Swan Song: Diana, My Sister, o 9º Conde Spencer relata uma conversa telefônica que teria tido com o então príncipe Charles, atual rei do Reino Unido.
Segundo o relato de Spencer, os dois discutiram sobre a decisão de fazer os filhos de Diana, os príncipes William e Harry, então com 15 e 12 anos, participarem do cortejo fúnebre atrás do caixão da mãe.
A conversa, de acordo com o livro, teria se tornado cada vez mais tensa. A primeira prévia da obra foi publicada pelo Daily Mail nesta quarta-feira (16.09). O livro tem lançamento previsto para 22 de setembro e reúne memórias de Charles Spencer sobre a irmã. De acordo com o irmão de Diana, ele era contrário à participação dos sobrinhos no cortejo depois de receber a recomendação de um assessor da família real. Foi nesse contexto que teria recebido uma ligação do então príncipe Charles.
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Spencer descreve que o ex-cunhado estava bastante irritado durante a conversa. “O príncipe Charles continuou seu fluxo de raiva, sem que eu o interrompesse. Então ele parou. Presumi que a pausa sinalizasse uma tentativa de se controlar, mas então ele descarregou pelo telefone o que sempre interpretei como seu desprezo reprimido por Diana e seu horror pelo fato de o mundo ter ficado tão abalado com a morte dela.”
Na sequência, Spencer afirma ter ouvido uma frase que, segundo ele, ficou marcada em sua memória. “’Fiquem tranquilos’, ele sibilou, ‘vamos esquecê-la em breve!’”, escreveu Spencer sobre seu ex-cunhado. Spencer conta que ficou surpreso com a declaração e demorou alguns segundos para conseguir reagir. O irmão da princesa afirma que, após ouvir a frase, respondeu ao então príncipe Charles: “Não acredito que você acabou de dizer isso”.
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Em seguida, segundo o relato publicado no livro, ele encerrou a ligação. Spencer também afirma que ficou “tão atônito” com o comentário que precisou de alguns instantes antes de responder. Diante das declarações presentes no livro, um porta-voz do Palácio de Buckingham afirmou que a instituição não costuma comentar obras desse tipo, mas fez uma observação sobre as lembranças de pessoas que passaram por processos de luto.
“Embora, por princípio, não comentemos sobre livros, Sua Majestade está ciente de que a dor do luto fraternal pode nublar a razão, afetar o julgamento e influenciar a memória de maneiras que outros não reconhecem, mesmo muitos anos após tal perda.”
A declaração não confirma o conteúdo relatado por Spencer e apresenta a posição do palácio sobre as circunstâncias descritas na obra. Anos depois da morte da mãe, William e Harry também comentaram a participação no cortejo fúnebre.
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No documentário da BBC Diana, 7 Days, exibido em 2017, os dois afirmaram que a decisão foi tomada coletivamente pela família. William, que atualmente tem 44 anos, declarou na produção: “Não foi uma decisão fácil, e foi uma decisão coletiva de toda a família”. Harry, atualmente com 42 anos, também participou das lembranças sobre os acontecimentos que cercaram o funeral da princesa.
A preocupação de Charles Spencer com a presença dos sobrinhos no cortejo não é uma novidade. O irmão de Diana já havia falado sobre o assunto em entrevistas e no livro The Story of Diana, publicado em 2017. Na ocasião, ele afirmou que não considerava adequado que Harry, ainda criança, enfrentasse aquela caminhada atrás do corpo da mãe.
“Eu estava muito preocupado – que trauma para um garotinho ter que andar atrás do corpo da mãe”, disse Charles, 9º Conde Spencer. “É simplesmente horrível. E, para ser sincero, tentei impedir que isso acontecesse.”
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Swan Song: Diana, My Sister foi anunciado no mês passado e representa, segundo Charles Spencer, a primeira vez que ele aborda de maneira “abertamente” e “extensivamente” diferentes aspectos de sua relação com Diana. O lançamento acontece próximo dos 30 anos da morte da princesa, o que teria aumentado a procura por entrevistas e declarações do irmão.
Em comunicado à imprensa, Spencer explicou o objetivo da publicação. “O objetivo deste livro é contar a verdade sobre Diana a partir da perspectiva de seu irmão, assim como tentei fazer quando falei em seu funeral”, disse Spencer em um comunicado à imprensa. “Assim como em meu elogio fúnebre, quero falar em nome de Diana e fazê-lo de uma forma abertamente positiva.”
Em uma publicação nas redes sociais feita em 11 de setembro, Charles Spencer também comentou o processo de produção do audiolivro. O escritor contou que passou três dias lendo a autobiografia em voz alta e descreveu a experiência como algo particularmente pessoal.
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“Quando terminei a gravação, pensei: ‘É exatamente isso que eu queria e precisava dizer – e acredito que ela teria aprovado cada palavra’”, escreveu ele no Instagram.
Além da repercussão provocada pelas revelações sobre Diana, o livro também se tornou notícia após um episódio envolvendo sua distribuição. Segundo o Daily Mail, quatro exemplares de Swan Song: Diana, My Sister foram furtados de um caminhão na Holanda antes da chegada oficial da obra às livrarias.
O veículo transportava os livros para um depósito no país, de onde seriam encaminhados para os pontos de venda. O motorista teria parado durante a noite para dormir e, ao acordar, percebeu que o caminhão havia sido arrombado.
Apesar da invasão, apenas alguns exemplares da autobiografia de Spencer teriam sido levados. A polícia holandesa investiga o caso.
Uma fonte do setor editorial ouvida pelo jornal classificou o episódio como “altamente suspeito” e destacou o nível de segurança adotado antes do lançamento. “Nunca aconteceu nada parecido. Este é provavelmente o maior livro do ano e a segurança em torno dele foi extremamente rigorosa”, disse a fonte ao Daily Mail.
A mesma fonte acrescentou: “Todas as precauções possíveis foram tomadas para evitar vazamentos antes do lançamento em série. Portanto, este incidente sem precedentes está sendo tratado com extrema seriedade.”
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