• Lula diz confiar em Lulinha, mas que não pedirá fim das investigações

      O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a comentar as investigações realizadas pela PF (Polícia Federal) que têm como alvo seu filho Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha.

      Durante entrevista aos podcasts As Cunhãs e Não Inviabilize nesta sexta-feira (14), o presidente repetiu que confia no filho e que ele “sabe que não pode fazer coisa errada”.

      “A questão do meu filho, meu filho sabe o que passei na vida, viu a mãe morrer por conta da Lava Jato. Meu filho sabe que não pode fazer nada errado; ele jura, jura por tudo que é sagrado que não tem nada. Acredito nele, mas disse aos advogados: ‘Ninguém vai pedir fechamento de processo contra meu filho’. Quero que faça como fiz: fiquei 580 dias na cadeia.”

      “Ele jura que não fez. Se não fez, então brigue. […] Se é inocente, vá à luta, se é culpado, contrate advogado. Estou muito tranquilo, me sinto no momento mais pleno da minha passagem pela terra”, completou.

      Esta não é a primeira manifestação de Lula sobre as investigações contra o filho. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda. no fim de julho, o presidente já havia mencionado que Lulinha “será tratado como filho de qualquer pessoa”, ao mencionar que respeitava a autonomia das investigações e da PF.

      “Se o meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa. É o certo. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado ou para um juiz não fazer as coisas corretas. Se ele estiver certo, ele vai ter ajuda minha”, disse o mandatário à época.

      Durante a entrevista desta sexta, o presidente também voltou a mencionar que esta não seria a primeira vez que o filho é “usado” como forma de atingi-lo politicamente. Porém, ele afirmou que, em todas as ocasiões anteriores, nenhuma das acusações foi comprovada.

      “Se meu filho tiver culpa, ele pagará. Já foi acusado de muitas coisas, toda eleição aparece isso”, completou.

      Por que Lulinha é investigado pela PF?

      Atualmente, Lulinha é alvo de três inquéritos da Polícia Federal. A abertura de dois deles foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal). Um terceiro teve aval do ministro do Supremo Flávio Dino.

      A PF apura se Lulinha teria atuado junto ao Ministério da Saúde em negociações ligadas ao processo de autorização para comercialização de produtos à base de cannabis.

      O interesse pelos medicamentos já esteve relacionado à investigação conduzida pela própria PF para averiguar possíveis conexões entre Lulinha e o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, um dos principais operadores no esquema de desvios bilionários da Previdência Social.

      Defesa de Lulinha pede acesso a investigações

      Como mostrou a CNN Brasil na última terça-feira (4), a defesa de Lulinha pediu acesso às investigações que miram seu cliente. Os defensores afirmam que o filho do presidente “prestará todos os esclarecimentos”.

      À CNN Brasil, o advogado Guilherme Suguimori, que representa Lulinha, relatou que a defesa já havia solicitado acesso à investigação envolvendo o Ministério da Saúde e que pediu informações sobre os demais processos.

      “Nós não tivemos acesso aos inquéritos. Hoje, estamos pedindo acesso aos dois mais recentes. E a partir daí teremos mais clareza. Mas a postura de Fábio é de esclarecimento: nossa intenção é oferecer documento e dar depoimento. Paralelamente, também estamos de olho em qualquer irregularidade”, disse à CNN Brasil.

      *Sob supervisão de Lucas Schroeder

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