FMI Reduz Projeções de Crescimento para a América Latina em Meio a Choque Energético e Baixa Absorção de IA

    O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo as previsões de crescimento para a América Latina e o Caribe para este e o próximo ano. Em seu relatório Perspectiva Econômica Global, divulgado em Bangcoc, a instituição apontou que a maior parte da região se beneficia pouco do avanço da inteligência artificial (IA), que tem auxiliado outras economias a absorver o impacto energético provocado pela guerra no Oriente Médio.

    Panorama das Projeções Regionais e Globais

    O FMI projetou um crescimento regional de 2,3% para este ano, representando uma queda em relação aos 2,5% previstos para 2025 e 2027, e aos 2,4% estimados em julho para 2026. A previsão global, por outro lado, foi ligeiramente elevada de 3% (em julho) para 3,1% neste ano, atribuída à resiliência da "economia global dividida" devido ao redirecionamento de suprimentos de energia e investimentos em IA.

    Fatores Chave para as Revisões na América Latina

    A guerra no Oriente Médio transformou a energia em um choque inflacionário global, com o petróleo Brent cerca de 45% acima do nível pré-conflito, elevando custos de combustível e energia para famílias e empresas. Os temores de inflação persistente impulsionaram os custos globais de financiamento a níveis não vistos em décadas. Na América Latina, o efeito do choque energético depende se os ganhos dos exportadores de commodities superam as perdas dos importadores de energia e da credibilidade das metas inflacionárias dos bancos centrais, com pouca compensação vinda da recuperação tecnológica na maioria dos países.

    Análise por País e Cenários Específicos

    Argentina

    A Argentina sofreu a maior redução em sua estimativa de produção, com o Fundo esperando que o crescimento desacelere para 2,1% neste ano, ante 4,5% em 2025 – bem abaixo dos 3,5% previstos em julho. A projeção para 2027 foi reduzida de 4% para 3,5%. A inflação, no entanto, deve cair para 32,5% neste ano, contra 41,9% em 2025.

    Brasil

    As previsões para o crescimento do Brasil caíram para 2,2% neste ano e 1,9% para 2027, ante 2,4% e 2,2% em julho. O FMI espera agora que o crescimento desacelere no próximo ano, citando condições monetárias restritivas para controlar a inflação, a retirada do apoio fiscal do governo e a incerteza global.

    México

    O México seguiu um caminho oposto, com sua previsão para 2026 elevada de 1,2% para 1,5%, impulsionada por exportações (incluindo cadeias de suprimentos de IA) e investimentos em estabilização. Contudo, a projeção para 2027 foi reduzida de 1,9% para 1,8%, indicando que incertezas comerciais e outras continuarão a frear a atividade.

    Outras Economias da Região

    As tabelas do relatório também mostram que o crescimento do Chile desacelerará de 2,5% para 0,6% neste ano. A economia da Bolívia deve encolher 3% após uma contração de 1,6% em 2025, enquanto a inflação na Venezuela é projetada para acelerar de 252% para 467,9%.

    Riscos e Advertências para o Futuro

    O FMI alertou que os riscos permanecem inclinados para o lado negativo. A turbulência nos mercados pode afetar as economias emergentes por meio de custos mais elevados de endividamento público, pressão sobre suas moedas e condições financeiras locais mais restritivas.

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