• Angra 3 ameaça empurrar Eletronuclear para crise semelhante à dos Correios

      O presidente da Eletronuclear, Alexandre Caporal, afirma que as obras inacabadas da usina nuclear de Angra 3 podem levar a estatal a um colapso semelhante à crise bilionária vivida pelos Correios, levando junto as outras usinas de Angra 1 e 2. Isso, porque, a construção da terceira planta energética consome R$ 1 bilhão ao ano do dinheiro arrecadado pelas geradoras vizinhas.

      Caporal, que é também diretor financeiro da Eletronuclear, diz que a obra de Angra 3, arrastada há cerca de 40 anos e paralisada desde a Operação Lava Jato, engole 80% desse valor por dívidas bancárias e 20% à manutenção de equipamentos já adquiridos. A estatal, afirma, não tem fonte de recursos para bancar esse custo e pode entrar em colapso operacional.

      “Poderemos ser os Correios amanhã. Estamos há bastante tempo avisando. […] Essa inação [do governo] está sendo pesada para a empresa. Nós não temos fonte de recurso para pagar esse R$ 1 bilhão, e isso pode gerar o colapso, a descontinuidade operacional de Angra 1 e Angra 2”, afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo nesta sexta (6).

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      A Eletronuclear ainda não tem uma dependência do Tesouro, mas, segundo Caporal, pode seguir o mesmo caminho dos Correios, que vÊm registrando os maiores prejuízos entre as estatais. Apenas de janeiro a setembro do ano passado, o rombo somou R$ 6 bilhões com a expectativa de um resultado ainda pior no último trimestre, ainda a ser divulgado.

      A estatal nuclear tenta suspender pagamentos de dívidas com a Caixa e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), mas enfrenta resistência dos bancos, que cobram uma definição sobre Angra 3. Caporal afirma que a empresa pode se tornar inadimplente em até três meses, o que abriria espaço para cobranças antecipadas e ameaçaria até a operação de Angra 1 e 2.

      “Se o governo não se sente maduro para tomar a decisão, que pelo menos se organize para conseguir um waiver [perdão de cláusulas] nessa dívida. Nenhuma empresa consegue suportar R$ 800 milhões sem fonte de recurso específico”, pontuou.

      Apesar das críticas, Caporal defende a conclusão de Angra 3 e afirma que o projeto já tem avanço físico de cerca de 67%, com mais de 14 mil equipamentos entregues.

      “Se é para gastar R$ 1 bilhão, que gaste R$ 1 bilhão para a continuidade do projeto. Mas não dá para a gente ter esse custo em uma obra paralisada e não ter fonte de recurso para isso”, concluiu.

      No final do ano passado, Caporal afirmou que a estatal tinha R$ 7 bilhões de bancos públicos emprestados, e que deveriam suspender temporariamente a cobrança da dívida. No entanto, negou que poderia recorrer ao Tesouro Nacional para cobrir as contas.

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