Esposa de Ramagem diz que sofre perseguição para voltar ao trabalho presencial

    A procuradora Rebeca Ramagem, esposa do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), afirmou que sofre perseguição após a Procuradoria-Geral do Estado de Roraima (PGE-RR) determinar seu retorno ao trabalho presencial, mesmo estando fora do Brasil há cinco meses. Ela e o marido se mudaram para os Estados Unidos após ele ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 16 anos de prisão por supostamente participar de uma alegada tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

    Rebeca deixou o país em setembro para acompanhar o marido e, desde então, tenta manter suas atividades em regime remoto, ainda que sem remuneração.

    “Estou pedindo para trabalhar mesmo com o salário suspenso. Mantenho minha disposição de exercer minhas funções por compromisso com o serviço público”, afirmou em vídeo publicado na internet nesta quinta (19), segundo apuração do Estadão.

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    Na mesma manifestação, a procuradora classificou a decisão da PGE-RR como “desproporcional e arbitrária” e disse que a medida teria como objetivo “apenas me prejudicar”. Segundo ela, a exigência de retorno presencial ignora sua atual condição no exterior e desconsidera sua tentativa de continuar contribuindo com o serviço público.

    Em resposta, a PGE-RR negou qualquer tipo de perseguição política e afirmou que todas as decisões seguem critérios “técnicos, legais e administrativos”. O órgão informou que Rebeca não está oficialmente em regime de teletrabalho e que sua situação funcional permanece vinculada ao trabalho presencial.

    De acordo com o órgão, o teletrabalho havia sido concedido de forma provisória, mas foi revogado a pedido da própria servidora em agosto de 2020, quando ela solicitou transferência definitiva para a unidade de Brasília. Desde então, a lotação oficial da procuradora passou a ser presencial na capital federal, o que fundamentaria a exigência de retorno.

    A procuradoria também informou que duas perícias médicas presenciais foram marcadas para validar eventual licença, mas que Rebeca não compareceu às avaliações. Sem a homologação pela Junta Médica da Secretaria de Gestão Estratégica e Administração, não houve reconhecimento formal de afastamento.

    Outro ponto destacado pelo órgão é que a servidora solicitou a concessão de 78 dias de férias acumuladas a partir de 20 de fevereiro de 2026. Além disso, a PGE-RR informou que novas adesões ao teletrabalho estão suspensas desde dezembro de 2025, enquanto uma comissão interna revisa as regras da modalidade.

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