A ata da reunião do Federal Reserve de janeiro, que será divulgada nesta quarta-feira (18), deve fornecer mais detalhes sobre por que o banco central dos EUA manteve a taxa de juros inalterada e o que pode ser necessário para convencer as autoridades monetárias de que novos cortes nas taxas são necessários, em um momento em que os riscos para o mercado de trabalho podem estar diminuindo e o progresso na redução da inflação tem sido lento.
Em uma coletiva de imprensa após a reunião, o presidente do Fed, Jerome Powell, disse que houve “amplo apoio” entre os formuladores de política monetária à manutenção da taxa básica estável na faixa atual de 3,5% a 3,75%, em contraste com a reunião anterior, em dezembro, quando a decisão de reduzir os juros deixou o banco central dividido, com dissidências a favor de cortes mais profundos e de não fazer nenhum corte.
A ata será divulgada às 16h (horário de Brasília). Com os formuladores de política monetária amplamente alinhados em meados de janeiro, o documento pode oferecer uma visão sobre como as autoridades avaliam os riscos econômicos que, segundo Powell, ainda podem deixar o Fed em desacordo sobre o que fazer, mas que também parecem estar se equilibrando.
O Fed tenta manter o emprego máximo compatível com uma inflação anual de 2%, com as decisões mais difíceis surgindo em momentos — como nos últimos meses — em que a inflação está acima da meta e o mercado de trabalho parece estar enfraquecendo.
Na reunião de janeiro, Powell disse que parte dessa tensão permanecia, embora os riscos de um salto acentuado na inflação ou na taxa de desemprego estivessem diminuindo.
“Ainda temos alguma tensão entre o emprego e a inflação, mas é menor do que era. Acho que os riscos de alta para a inflação e os riscos de baixa para o emprego provavelmente diminuíram um pouco”, disse ele.
No entanto, dentro do amplo acordo para manter as taxas estáveis no mês passado, as autoridades monetárias podem ter opiniões muito diferentes sobre como reagir e com que rapidez, com os analistas focados, em particular, em saber se a inflação começará a diminuir, como Powell e outros dizem esperar até meados do ano.
Em declarações na terça-feira (17), o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, disse que poderia ver “várias” reduções das taxas justificadas este ano se a inflação começar a cair do nível atual, cerca de um ponto percentual acima da meta do Fed, enquanto o diretor Michael Barr disse que a atual pausa na redução das taxas provavelmente durará “por algum tempo” antes que haja informações suficientes para garantir que a inflação está em declínio.
Autoridades do Fed atribuem parte da inflação elevada atual às altas tarifas de importação que, em sua opinião, as empresas ainda estão repassando aos consumidores, mas concordam amplamente que esse processo está próximo ou já passou do pico de impacto sobre a inflação.
“O Fed está preparado para reduzir ainda mais as taxas este ano se a inflação esfriar… Isso… deve se refletir na ata do FOMC (comitê de política monetária do Fed)”, escreveram analistas do Citi na terça-feira.
O Fed se reunirá novamente nos dias 17 e 18 de março, e os investidores esperam que as taxas de juros sigam inalteradas.










