• “Bíblia” da psiquiatria vai deixar de olhar apenas os sintomas

      O Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM), conhecido como a “bíblia” da psiquiatria, manteve um modelo baseado na descrição de sintomas desde a sua última edição. Com a inclusão de medidas objetivas, a psiquiatria pretende reduzir o método de tentativa e erro na prescrição de medicamentos e avançar em direção à medicina de precisão.

      A nova iniciativa pretende transformar o diagnóstico e o tratamento em saúde mental. A análise sobre o futuro do manual foi publicada no periódico científico American Journal of Psychiatry.

      Sobre a pesquisa

      Entre os exemplos analisados está a dosagem da Proteína C-Reativa (PCR), em que cerca de 27% dos pacientes com depressão apresentam níveis elevados dessa proteína inflamatória no sangue, e respondem melhor a tratamentos específicos do que aos antidepressivos tradicionais.

      Além disso, pesquisas de neuroimagem identificaram um biotipo cognitivo – um subtipo ou perfil de funcionamento cerebral identificado – presente em aproximadamente 25% dos casos de depressão. Esse grupo demonstra menor atividade em circuitos cerebrais de controle cognitivo e apresenta melhores resultados com terapias direcionadas, como a estimulação magnética transcraniana (TMS).

      No campo genético, os escores de risco poligênico (PRS) calculam a predisposição acumulada para condições como a esquizofrenia, onde indivíduos nos 10% de maior risco possuem probabilidade 2,3 vezes superior de diagnóstico em comparação à média. Dados de EEG e cognição também permitiram agrupar psicoses em três biotipos biológicos distintos.

      Objetivo de assertividade

      A ideia é conectar a prática psiquiátrica às descobertas biológicas, migrando de um modelo baseado apenas em sintomas descritivos para um sistema informado por medidas objetiva.

      Ao integrar marcadores biológicos, comportamentais e clínicos para identificar subgrupos biologicamente distintos dentro das categorias psiquiátricas amplas, a medicina poderá identificar os subtipos biológicos.

      Facilitando o diagnóstico antecipado e viabilizando estratégias de prevenção antes da progressão dos quadros, torna a escolha de medicamentos e intervenções mais eficaz, rápida e específica, diminuindo a necessidade de testes sucessivos até encontrar a conduta adequada.

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