O caso envolvendo o Banco Master abalou a credibilidade do BC (Banco Central), mas as recentes investigações permitirão que a autarquia recupere a confiança, afirma o ex-presidente da autoridade monetária, Armínio Fraga.
Ao CNN Money, o ex-BC diz que a situação envolvendo o banco de Daniel Vorcaro “foi muito longe”, e que os recentes desdobramentos da investigação da Polícia Federal deixam claro a existência de um “foco de infecção” na estrutura da autarquia.
“A credibilidade do BC estava abalada com o caso Master. Agora começa a ficar claro que havia um foco de infecção lá dentro, e o BC vai poder recuperar a sua credibilidade de sempre”, disse.
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso nesta quarta-feira (4), em nova fase da operação Compliance Zero, após determinação do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal).
A decisão aponta indícios de que o grupo investigado mantinha uma estrutura organizada para cometer crimes financeiros, corromper agentes públicos e monitorar críticos, incluindo jornalistas. O empresário teria feito uma ofensiva contra envolvidos e testemunhas ligadas ao caso.
A operação deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025 apura suspeitas de fraude na instituição financeira, que já foi liquidada pelo BC.
Ambos já estavam afastados de suas funções desde o fim do ano passado, após decisão do presidente do BC, Gabriel Galípolo.
Os dois ex-servidores prestavam uma “consultoria informal” a Daniel Vorcaro, segundo a PF.
De acordo com a corporação, os dois participavam de um grupo de Whatsapp com o banqueiro, criado para facilitar a comunicação direta entre os envolvidos e permitir a discussão de estratégias de temas de interesse do Master.
Segundo as investigações, eles teriam recebido dinheiro para passar informações ao banqueiro e ajudar na elaboração de pedidos ao órgão.
“Descrevemos o relacionamento ilícito entre o banqueiro Daniel Vorcaro e os servidores do Banco Central Paulo Sérgio e Belline Santana, bem como os graves indícios de recebimento mensal de vantagens indevidas”, diz a decisão de Mendonça.
A PF diz que Paulo Sérgio revisava minutas de documentos e comunicações institucionais elaboradas pelo Banco Master e destinadas ao próprio Banco Central, sugerindo alterações e ajustes antes da formalização dos documentos perante a autarquia supervisora
A corporação afirma que há indícios de que Paulo Sérgio tenha recebido vantagens indevidas. Um elo entre a relação dele com Vorcaro é descrito a partir de uma viagem que o servidor faria à Disney. A PF afirma que Vorcaro mandou providenciar um serviço de guia para a visita.
Segundo a PF, Vorcaro solicitava conversas por ligação com Belline Santana para tratar de assuntos sensíveis, indicando a intenção de evitar o registro escrito das comunicações. A corporação afirma que o servidor participou de reuniões privadas com o banqueiro, inclusive fora das dependências do BC, nas quais foram discutidos temas estratégicos relativos à atuação e ao posicionamento do Banco Master perante a autoridade reguladora.
Belline, ainda de acordo com a PF, revisava documentos e comunicações institucionais elaboradas pelo Banco Master, destinados à própria autarquia supervisora.
*Com informações de Isabel Mega, Matheus Teixeira e Teo Cury








