• Empresas de tecnologia apostam em computadores que se controlam sozinhos

      Por pelo menos uma década, gigantes da tecnologia têm tentado desenvolver computadores capazes de realizar tarefas complexas em nome do usuário.

      Esses esforços, em grande parte, fracassaram, com assistentes como Alexa e Siri sendo usados ​​principalmente para definir alarmes e tocar música.

      Algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo estão apostando que isso está prestes a mudar.

      A Nvidia, a Microsoft, o Google e outras apresentaram recentemente novas tecnologias que, segundo elas, podem pavimentar o caminho para um futuro com menos teclados e mouses – o que inclui novos chips, laptops e softwares projetados para alimentar agentes de IA capazes de criar e executar tarefas complexas de forma autônoma.

      “O objetivo final é descobrir: ‘Como posso simplesmente dizer ao computador o que quero que ele faça e, em seguida, fazer com que ele faça?'”, disse Bob O’Donnell, fundador e analista-chefe da empresa de pesquisa tecnológica Technalysis.

      A Nvidia e a Microsoft estão reformulando o Windows para oferecer mais recursos desse tipo.

      No dia 1º de junho, a Nvidia revelou um novo chip para laptops com Windows chamado RTX Spark, projetado para executar agentes de IA sem precisar se conectar à nuvem. O chip combina as tecnologias gráficas, de computação e de rede da Nvidia com mais memória do que um laptop padrão; Dell, HP e Lenovo lançarão computadores com o novo chip neste outono (do hemisfério norte).

      O Google Books, que será lançado em breve, poderá sugerir ações quando o usuário apontar o cursor do mouse para algo na tela, como agendar uma reunião após passar o mouse sobre uma data em um e-mail.

      Há anos, empresas de tecnologia tentam criar assistentes digitais para tarefas digitais rotineiras, como montar carrinhos de compras, rastrear pedidos online e planejar viagens.

      Os assistentes anteriores conseguiam lidar com tarefas individuais — como chamar um táxi ou fazer um pedido —, mas não com tarefas complexas ou com a compreensão de preferências pessoais. Isso começou a mudar depois que os grandes modelos de linguagem ganharam destaque com o lançamento do ChatGPT no final de 2022.

      O OpenClaw, o assistente de IA que se tornou um sucesso mundial entre os desenvolvedores este ano, é talvez o maior exemplo até agora de como a IA está mudando os hábitos de computação de algumas pessoas.

      O agente consegue executar programas e concluir solicitações sem necessidade de intervenção constante.

      Desenvolvedores já haviam relatado à CNN que utilizam o OpenClaw para atividades como pesquisa em um computador doméstico dedicado; enquanto se dedicam a outras tarefas, eles verificam o progresso do agente enviando mensagens de texto pelo WhatsApp ou Telegram.

      Segundo relatos da Bloomberg e do The Wall Street Journal, alguns funcionários da área de tecnologia começaram a dar comandos de voz para agentes de IA em vez de digitar.

      “As coisas estão bem diferentes agora porque mais pessoas se acostumaram a usar serviços como ChatGPT, Gemini ou Anthropic”, disse David Naranjo, diretor associado da empresa de pesquisa de mercado Counterpoint Research.

      O CEO da Nvidia, Jensen Huang, demonstrou, durante uma conferência de imprensa esta semana, como um laptop equipado com um de seus novos chips poderia auxiliar no projeto de uma casa, utilizando agentes de IA para trabalhar em conjunto com aplicativos de modelagem 3D.

      A Microsoft está criando um novo agente para o Microsoft 365 chamado Scout, usando a tecnologia da OpenClaw, conforme anunciado na terça-feira.

      Ainda assim, especialistas afirmam que a maioria das pessoas não conseguirá controlar seus computadores com apenas alguns comandos por mais algum tempo, em parte porque esses novos laptops provavelmente serão caros. E embora empresas como a Anthropic e a OpenAI atualizem seus agentes de IA em um ritmo acelerado, o uso pelo consumidor não justifica a compra de um novo laptop caro para acompanhar a tecnologia.

      “Ainda não se tornou indispensável, certo? E acho que é aí que reside o desafio para a Nvidia, a Microsoft e outras empresas”, disse Naranjo.

      A IA costuma ser mais útil para empresas do que para consumidores individuais, e o processamento de tarefas sem o envio de dados para a nuvem geralmente é mais seguro. Além disso, lidar com tarefas de IA localmente pode ser mais barato para as empresas.

      Há também a questão mais ampla de saber se as pessoas confiam o suficiente na IA para lidar com tarefas críticas.

      Se um agente de IA comprar ingressos para o show do seu artista favorito, o que acontece se ele interpretar mal o seu orçamento e comprar ingressos mais caros do que deveria?

      “Há uma série de questões que precisam ser resolvidas antes que isso se torne um produto de mercado de massa”, disse Jitesh Ubrani, gerente de pesquisa da empresa de pesquisa de mercado International Data Corporation.

      “Mas estamos no caminho certo? Sim.”

      Compartilhe:

      WhatsApp
      Facebook
      Telegram
      Twitter
      Email
      Print
      VEJA TAMBÉM

      Vagas de emprego em São Paulo - SP

      Encontre a vaga ideal em São Paulo Confira salários e avaliações de empresas.
      Últimas Notícias