• Menisco: entenda quando a cirurgia pode não ser a melhor escolha

      Os meniscos são estruturas essenciais para o bom funcionamento do joelho. Atuam como amortecedores, ajudam na distribuição de cargas, melhora da estabilidade e proteção da cartilagem. Por isso, quando ocorre uma lesão, a decisão sobre o tratamento precisa considerar algumas variáveis, não apenas a dor do momento, pensando também no futuro da articulação.

      No passado, era comum remover a parte lesionada do menisco com relativa facilidade. A lógica era simples: se o tecido estava rasgado e causava dor, retirava-se o fragmento. Com o tempo, porém, ficou claro que perder menisco aumenta a sobrecarga sobre a cartilagem e pode acelerar o desgaste do joelho.

      Do “cortar” ao “preservar”

      A ortopedia moderna passou a valorizar cada vez mais a preservação meniscal. Não apenas reduzindo as indicações cirúrgicas mas também priorizando a reparação cirúrgica com sutura do menisco, sempre que possível.

      Essa mudança é especialmente importante em pacientes jovens, atletas ou pessoas com lesões traumáticas recentes. Nesses casos, preservar o menisco pode reduzir o risco de degeneração futura e manter melhor a função do joelho.

      Isso não significa que toda lesão possa ser suturada. O tipo, a localização, o tempo de evolução e a qualidade do tecido influenciam diretamente a escolha.

      Nem toda lesão precisa operar

      Outro avanço importante foi compreender que muitas lesões degenerativas do menisco, comuns com o envelhecimento e o desgaste natural do joelho, nem sempre se beneficiam de cirurgia.

      Estudos recentes mostram que, em vários casos, o tratamento conservador – com fisioterapia, fortalecimento muscular, controle de peso e ajuste de atividades – pode ser suficiente em mais da metade dos pacientes e oferecer resultados semelhantes aos da cirurgia, especialmente quando não há travamento do joelho.

      A dor, nesses casos, muitas vezes não vem apenas do menisco, mas de um conjunto de fatores, como sobrecarga, inflamação, fraqueza muscular e início de artrose.

      Por isso, operar uma imagem de ressonância, é um erro mais comum e pode ser evitado com um boa conversa e examinando o paciente.

      O impacto no longo prazo

      Retirar parte do menisco pode aliviar sintomas em situações bem indicadas, mas também reduz a capacidade do joelho de absorver impacto. Com menos menisco, a cartilagem recebe mais carga, o que aumenta o risco de artrose ao longo dos anos.

      Por isso, a decisão deve ser individualizada. Em lesões traumáticas, instáveis ou com bloqueio articular, a cirurgia pode ser necessária. Em lesões degenerativas, a abordagem inicial frequentemente deve ser conservadora.

      O objetivo atual não é simplesmente “resolver a lesão”, mas preservar a articulação pelo maior tempo possível.

      Tratar o menisco exige equilíbrio entre aliviar a dor de hoje e proteger o joelho de amanhã. E essa talvez seja a principal mudança da ortopedia moderna: entender que, operar nem sempre é necessário e quando se trata de menisco, menos retirada muitas vezes significa mais saúde no futuro.

      *Texto escrito por Camila Cohen Kaleka, ortopedista e membro da Brazil Health (CRM/SP 127.292 | RQE 57.765)

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