Após receber alta médica e voltar para casa, Bruna Damaris Sant’anna da Silva, de 26 anos, divulgou um comunicado neste sábado (30), em que detalhou as cerca de 42 horas em que ficou à deriva no mar de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo.
A jovem, que sobreviveu após desaparecer no último domingo (24), rebateu boatos sobre o caso, explicou por que não conseguiu se manter na moto aquática e falou sobre os últimos momentos ao lado de Dheorge, que segue desaparecido.
Segundo o relato publicado por Bruna, a situação saiu de controle quando o jet ski apresentou problemas estruturais em meio à água. Diferente do que se imaginava inicialmente, os dois não conseguiram usar o veículo como ponto de apoio.
“Não ficamos no jet-ski pois começou a entrar água e afundar a parte traseira e era impossível ficar segurando nele”, relatou a jovem.
Ela destacou ainda que as condições do mar agravaram a situação, segundo ela a correnteza estava forte, o que os levou para o mar aberto.
O jet ski parcialmente afundado foi localizado na segunda-feira (25), pelas equipes de busca, juntamente com o celular de uma das vítimas com a bateria fraca, o que ajudou a delimitar o raio de resgate.
Leia a nota:

Os momentos finais
Bruna aproveitou o comunicado para corrigir uma informação amplamente divulgada de que Dheorge seria seu companheiro amoroso. “Ele era meu colega que conheci na lancha”, esclareceu.
Ela também confirmou que os amigos presentes na confraternização na Praia de Ponta das Canas testemunharam o momento exato da saída dos dois.
Durante o período à deriva, a jovem contou que eles lutaram pela vida lado a lado por mais de um dia inteiro. “Ficamos juntos em todo momento até terça de madrugada”, revelou.
Ela completou dizendo que ele não tirou o colete e que ela não o viu afundando.
Resgate, hipotermia e alta hospitalar
A jovem foi finalmente localizada por volta da manhã de terça-feira (26) entre as proximidades da Ilha de Búzios e Ilha do Tamanduá, a uma distância de cerca de 18 a 22 quilômetros do ponto de partida original.
O GBMar (Grupamento de Bombeiros Marítimo) informou que a vítima foi retirada da água bastante debilitada e apresentando um quadro de hipotermia.
Após receber atendimento inicial, ela foi encaminhada ao Hospital Municipal Governador Mário Covas Júnior, em Ilhabela, onde permaneceu internada por pouco mais de dois dias.
Bruna recebeu alta na quinta-feira (28) e deixou a unidade em uma cadeira de rodas, sob aplausos de familiares e da equipe médica, e foi recepcionada com uma decoração especial que incluía um balão com a frase “eu sou um milagre”.
Continuidade das buscas
Em sua nota, a sobrevivente explicou o motivo de seu silêncio nos primeiros dias. “Ainda não tive a oportunidade de conversar com a família do meu colega pois eu estava/estou me recuperando e não tinha cabeça para voltar toda a situação que aconteceu”, desabafou, acrescentando que no momento está em repouso e sob o uso de medicações.
A Polícia Civil e as autoridades marítimas já receberam o relato completo da jovem, que deverá ser cruzado com os dados de GPS do celular encontrado no jet ski para esclarecer o ocorrido. Enquanto a sobrevivente se recupera, as buscas por Dheorge entraram em seu quinto dia.
Colete encontrado é de homem desaparecido em Ilhabela, dizem Bombeiros
A operação ostensiva envolve mergulhadores e embarcações do GBMar e da Marinha do Brasil, com apoio aéreo de aeronaves da Polícia Militar e da FAB (Força Aérea Brasileira).
Até o momento, as equipes confirmaram apenas a localização de um colete salva-vidas que pertencia ao homem desaparecido.
*Sob supervisão









