Ícone do site São Paulo Jornal

O Grande Debate: O que Flávio e Lula precisam fazer para vencer?

O cientista político Magno Karl e o comentarista da CNN José Eduardo Cardozo debateram, nesta quinta-feira (8), em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), o que Flávio e Lula precisam fazer para vencer o segundo turno das eleições.

O primeiro turno das eleições de 2026 registrou 33,4 milhões de abstenções, o equivalente a 21% dos eleitores aptos — o maior percentual desde 1998, quando o índice foi de 21,5%.

Uma pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira aponta Flávio à frente, com 52% das intenções de voto, contra 48% de Lula. O resultado acirrado coloca em evidência os desafios que cada candidato enfrentará na reta final da disputa.

O caminho de Lula, segundo Cardozo

Para Cardozo, Lula precisa calibrar melhor a orientação de sua campanha e despertar nos democratas a percepção de que a democracia corre sério risco.

Ele aponta que declarações recentes de Flávio Bolsonaro — como propostas de mexer na Constituição, de “redemocratizar o país” e de implementar castração química para estupradores — ofendem cláusulas pétreas da Constituição e tratados internacionais subscritos pelo Brasil.

“Ele precisaria pegar este mote e dizer que o Brasil pode correr certos riscos no plano democrático e precisamos dos democratas juntos”, afirmou Cardozo.

O comentarista também destacou que o histórico da família Bolsonaro, incluindo os eventos de 8 de janeiro, deve ser invocado por Lula como argumento de campanha. Para Cardozo, nenhuma fala atual de Flávio é capaz de apagar esse passado.

O desafio de Flávio Bolsonaro

Já em relação a Flávio, Cardozo avalia que o candidato não pode errar.

“O caminho de Flávio Bolsonaro é diferente, ele não pode errar, ele pode jogar mais parado”, disse.

Segundo ele, Flávio precisa consolidar os apoios do espectro da direita, algo que já estaria ocorrendo rapidamente, mas ao mesmo tempo evitar declarações que afastem o eleitorado que vota contra Lula, mas não necessariamente se identifica com certas propostas bolsonaristas.

Esse equilíbrio, segundo Cardozo, é uma tarefa complexa diante da “bolha bolsonarista” que representa mais da metade de seus votos.

Análise de Magno Karl: o ideal e o provável

Magno Karl dividiu sua análise em duas partes: o que gostaria que os candidatos fizessem e o que eles efetivamente farão.

No plano ideal, Karl defendeu que ambos deveriam ser honestos com a população e apresentar seus planos de governo.

“Os dois candidatos evitaram, inclusive, debater frente a frente”, observou.

Ele também ressaltou a necessidade de os candidatos enfrentarem a letargia política da população, que, segundo ele, parece ter perdido a fé no engajamento político.

No plano prático, Karl avaliou que tanto Lula quanto Flávio estão de olho nos eleitores que se abstiveram no primeiro turno. No entanto, ele alertou que parte significativa desses eleitores já declarou que não votará no segundo turno — cerca de 30% —, enquanto outros 30% ainda estão indecisos.

Para Karl, Flávio deve continuar sinalizando moderação, repetindo o movimento de quem “começou a campanha dizendo que era o bolsonarista que se vacinava”. Já Lula, na avaliação do cientista político, “precisa reinventar a sua campanha”, pois teria tido dificuldades de comunicação ao longo de seu governo e estaria repetindo os mesmos erros na disputa eleitoral.

Sair da versão mobile