O candidato ao governo do Distrito Federal José Roberto Arruda (PSD) comentou a decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que o deixou inelegível por oito anos em 2014, no âmbito da Operação Caixa de Pandora.
Durante entrevista à CNN Brasil nesta terça-feira (18), o político rebateu as acusações e disse que “pagou um preço muito alto”.
“Demorei muitos anos para provar na Justiça que focinho de porco não é tomada, e foi o Ministério Público que pediu a nulidade da prova. Sabe por quê? Porque aquele dinheiro que eu recebi em 2005, R$ 20 mil, estava registrado no TRE. E depois quiseram usar maldosamente para me chantagear, para fazer negócios escusos com o governo, e eu não aceitei. Eu não aceito chantagem, ok? Paguei um preço muito alto, mas estou aqui de volta. Consciência tranquila e cabeça erguida”, declarou.
A dúvida da chapa esbarra na mudança na Lei da Ficha Limpa a partir da Lei Complementar 184 de 2021, que alterou o esquema de contagem do prazo de inelegibilidade, com a mudança nos entendimentos do início do período de vigor do prazo fora dos pleitos.
Sem uma decisão definitiva do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre todos os pontos envolvendo a aplicação das alterações impostas pela Lei da Ficha Limpa, a admissibilidade da candidatura depende da situação de cada um dos processos que Arruda enfrenta na Justiça, podendo concorrer conforme liminar concedida.
“A Lei 219/25, aprovada na Câmara, no Senado, sancionada pelo presidente, diz no seu, no parágrafo oitavo do artigo primeiro, que os oito anos dele, a inelegibilidade, começam a contar na primeira decisão de segundo grau, que foi junho de 2014, venceu em junho de 2022”.
“Ainda que algum recurso meio pendente saia da gaveta, sim, por exemplo. Entretanto, nessa véspera de eleição, nada muda. Eu estou elegível, eu estou no jogo e, com a palavra, a população”, completou.
Ao longo da entrevista, Arruda respondeu ao posicionamento da atual governadora Celina Leão (PP), que comentou a decisão contra o ex-governador. Durante a sabatina realizada nesta segunda-feira (17), a política disse que “faz 16 anos que o Arruda está inelegível, que ele briga até hoje pela elegibilidade”.
Para o político, os posicionamentos de Celina significam um “jogo sujo” e uma estratégia de “puxar o tapetão”.
“Celina, é o seguinte, aceita que dói menos, vamos disputar nas urnas, para de querer me tirar no tapetão, que feiura. Olha, eu estou elegível, a minha candidatura está registrada”, respondeu.
Arruda também comentou que deseja “voltar para fazer o bem para as pessoas” e que retorna melhor do que foi no passado.
Para o político, Brasília vive um “mau momento” e a ideia de um futuro governo seria voltar ao poder com a missão de “resgatar Brasília como qualidade de vida e como padrão para o Brasil”.
“Eu não quero voltar com nenhum espírito de vingança, nem com perseguição. Eu quero voltar para fazer o bem para as pessoas. Eu quero terminar a minha vida pública com dignidade, para deixar uma boa história para os meus filhos, para as minhas netas e para as milhares de pessoas em Brasília, que nesses longos 16 anos de travessia do deserto, nunca me abandonaram”, finalizou.
*Sob supervisão de Lucas Schroeder









